Mas o fato é
que estamos feios:
Com a cara
parcialmente encoberta
Com a boca
definitivamente fechada
Feia essa
forma irregular,
E o ar quase
não se pode respirar.
E há quem
proteste,
Há quem se
manifeste com bravura
Descompostura
Com
ignorância até.
Sim, por que
estranho,
O som do que
era a sua voz
Que hoje soa
surda com um esgar
Sem romance,
E eu que lhe
desejo beijar
Beijar já
não posso,
Queria eu
lhe abraçar
Mas, e o
medo?
De lhe
contaminar.
Nós que nos
safamos até então, vivos
Temos do
mundo civilizado
Essa triste
visão,
A visão de
que estamos feios.
Sem ética,
sem respeito
Sem amor nem
justiça.
Não há paz para
se usufruir do silencio
Pois estamos
na ribanceira, a beira
E o abismo
Dançam nessa
poesia besta
O retrato da
feia figura que nos tornamos,
Com esta
máscara de pano,
Com essa
camuflagem improvisada.
Não temos
boca nem nariz,
Só os olhos
teus,
Que ainda me
olham
Como a dizer:
te amo.
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