sexta-feira, 23 de abril de 2021

Feios

 


 

Mas o fato é que estamos feios:

Com a cara parcialmente encoberta

Com a boca definitivamente fechada

Feia essa forma irregular,

E o ar quase não se pode respirar.

E há quem proteste,

Há quem se manifeste com bravura

Descompostura

Com ignorância até.

Sim, por que estranho,

O som do que era a sua voz

Que hoje soa surda com um esgar

Sem romance,

E eu que lhe desejo beijar

Beijar já não posso,

Queria eu lhe abraçar

Mas, e o medo?

De lhe contaminar.

Nós que nos safamos até então, vivos

Temos do mundo civilizado

Essa triste visão,

A visão de que estamos feios.

Sem ética, sem respeito

Sem amor nem justiça.

Não há paz para se usufruir do silencio

Pois estamos na ribanceira, a beira

E o abismo

Dançam nessa poesia besta

O retrato da feia figura que nos tornamos,

Com esta máscara de pano,

Com essa camuflagem improvisada.

Não temos boca nem nariz,

Só os olhos teus,

Que ainda me olham

Como a dizer: te amo.

                                                                                                                J. Cordeirovich

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Seja Como For