sábado, 24 de abril de 2021

VÁ POLIR ESTRELAS

 

MOMENTO

 

 

 

 

 

Agora

Eu ando

Torto,

Desequilibrado,

Incerto.

 

 

Agora

Eu ando

Desaprumado

Inteiro,

Completo.


  DEGRADAÇÃO

 

 

 

Começa a esfriar.

O verão foi mediano,

No inverno o que sofrerei ?

...

Já conheço dessas dores

Do ciático.

“minhas dúvidas”

A pior das coisas,

São fragmentos do cotidiano

...

Me sinto menor

Não no sentido de inferioridade

Mas no tamanho

                         *

Profundidades.

Não quero que me traias

P         A        L       A       V        R       A

...

Deixa-me

Aqui relatar

minha degradação

...

A impressão que tenho 

É que tento organizar

O roteiro de um filme

Que temo, o tempo todo,

Concluir.            ROTEIROS

Roteiros de Oswald velho à   

Oswaldo Rosa novo, é sempre assim:

Calças Lee, Calças de Lã

Afinal

Começa a esfriar.


Estou vivo

Lerei aquele livro?

 

Passei a vida

Temendo os invernos

Que viriam.

Hoje,

Geleira descabida

Em si, pedra de cristal

De gelo,

Das que se perpetuam

Com a simplicidade.

Dentro do nosso sangue

Que não circula

No mesmo bit, de outrora.

Estou vivo

Nem isto nem aquilo

Ouvirás o que te digo?

 

Sintaxe

Palavra

Cachorros que não me mordam a carne

Adjetivos

Prosódia propensa linguagem

               


VÁ POLIR ESTRELAS 2.

 

 

 

SE FOR SÓ A CASA

DEIXA PRA LA. NÃO QUERO NÃO.

EU QUERO MAIS QUE A CASA.

UMA ENCRUZILHADA.

PONTO ZERO ONDE TUDO NOS ESCAPA

SONORIDADE-FACADA

CAPA E ESPADA.

GRITO NA ESCADA:

DOR REAL. DOR ATÉ NO SOM.

 

...

 

E SE FOR SÓ DA CASA

DEIXE PRA LÁ. NÃO QUERO NÃO.

QUERO MESMO UM VÃO DE 7 PALMOS

EM PROSA E VERSO

 

 

A HORA ESTAGNADA

NUM UNIVERSO DE PÉROLAS

QUE ME FAZEM SAIR SAMBANDO.

SAMBANDO ARREDONDADO, CLARO!


 

 E ME PERGUNTOU:

 

 

-É só esta a tua cultura?

Este sim, este vão.

Não ouves tocar ao longe

Uma cítara, um acordeon

ZOON                       OUT

                                     ON.

É só esta tua cultura?

Essa loucura insana

Desvarios de megatons.

Foi minha mãe

Quem me deu este nome

Sou cavaleiro de áreas

Aéreas

Voantes


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

DEPOIS, O SILÊNCIO

 

 

Não ouves tocar ao longe

Uma cítara, um acordeon

ZOON                      OUT

                 ON

Essa loucura insana de tons

Desvario de megatons

Não ouves tocar ao longe

Áreas aéreas voantes?

Silenciantes.


 

 

 

 

 

 

 

 

 

ÓCULOS

 

 

MEUS VERDADEIROS OLHOS.

SEM TI NADA VEJO E APESAR DESTA VISÃO

ENTRE VITRINES

SINTO-ME FELIZ CONTIGO,

                           VIDRO.


 
 
 
 
 
 
VISÕES

 

 

Os bravos

Olhos caros

Brancos claros

De Narciso

 

Os traços

Novos

Aros lisos

Óculos de

Tamires

 

Os alvos

Calvos crânios

Tântricos

E tantos

Túmulos

Marmóreos [L1] 

Mortos mornos

Mútuos

     Mentem nisto.


 

 

 

 

 

 

 

 

                     E Q U I L Í B R I O

 

                                     [canto dançado]

 

 

Brio de um tambor batendo

água escorrendo na pedra

Deus acima das guerras

Ah! Deus...

 

E  q  u  i  l  í  brio.

G   r   a   f   i   a

               f   i    a

               t   e    c   e

 

enaltece

 

               fieira de fitas

      c   o   l    o   r   i   d   a  s!

 

 


 

 

 

 

 

P     A    I     S     A     G     E     M

 

VER LUME

VERDUME

VARANDA, VÃO...

BOI NO PASTO

ESTRONDO ENTRE NUVENS

VAI CHOVER, SEU  ZÉ?

 

 

 

 

 

 

 

 

 


 

 

 

 

L    U    G    A    R    E    S

 

Dakar

Nunca fui.

O mais longe foi Manaus

Quiça apenas

P  a  r  á.

Dakar

Belém

Cassino da Urca serve?

Nem sei.

Fui á Santa Maria, serve?

Talvez Cuzco

Congo,

Nova Guiné

Marias na minha Vida

 Marés

Mares, ares até,

     Serve?

 

 

 

 

 

 

 

 

Mui incentivado por meu gran amigo Glen Martins, sem pudor pus-me a escreve e só saí da primeira edição de algum escrito meu, graças ao referido amigo que sempre ao me encontrar pergunta interessado: Tá escrevendo? E isto já faz quase duas décadas que ouço a estimuladora pergunta. Então trago sempre no bolso uma montoeira de papéis desalinhados e amassados onde muitas vezes anoto a idéia original do escrito que tomará forma depois num  dos cadernos que estou sempre organizando. Finalmente vem um sobrinho de empréstimo que apaixonado por computador resolve ficar horas e horas passando a limpo, numa primeira versão, os escritos todos. No computador é reler e reler sempre achando um erro ou um detalhe que escapou-me.  

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


   

 

 

 

   O TETO

 

O teto tem cor

É branco.

O branco tem cor

É teto

 

Céu neutro, nulo

                  Nu

ABERTO

 

A brancura do teto cor

Envolve nossas cabeças

Que não são brancas ainda  

São negras brandas

Cabeças calvas

Que sintonizam

Ondas secretas

 


 

 

 

 

ESPECTATIVA

 

 

Tens ponte com a palavra.

Teus melhores momentos.

Deus,

Eu, você.

O fictício do normal

Nos espreitando

“depois da cidade,

perto do crime que você sonhou”.
E crenças mil.

Essa chuva vai passar.

O bolo logo será servido.

Eu não fui um herói?

Que expectativa!

 


 

 

 

PÊNIS

 

 

It is a pênis.

Órgão útil e

Todos os adjetivos

Que ele mereça.

Útil tanto quanto

Um dedo, um dado,

Um dente!

Um fígado, um olho.

 

 

Numa síntese:

És o acionador

Da vida do seu dono:

O bicho homem.

O bicho bicho.

 

 

Primitivo coração do sexo

Que na passagem estreita

Entre canais friccionado

Ejacula,

cospe,

Goza.


 

 

 

 

 SONORIDADE

 

1.

 

Tuas letras transcritas

No papel

Intuem um céu estrelado.

É noite de junho sadona?

Nénão Zé.

Nénão

 

 

2.

 

Fazes parar elevador?...

E trem?...

Fazes também?

 

Sonoridade...................Hades!

     

 

3.

 

Em amor rápido

Fala-se em cacos.

Em amor longo

Fala-se em gongos

 

So           no            ros..........

 


 

 

 

 

TEMOS QUATROS VIDAS

 

 

Como o dia tem seus lados

Manhã,

Tarde,

Noite,

Como o tempo tem

Nunca,

Madrugada,

Nada.

 

 

Temos quadro vidas?

Pergunto ao canto.

Infância

Dautônica

Corpórea

Palavra que vem vindo. Sol.

Sonolência

E logo verão do dia.

Essência.

 

                            “menina me dê um beijo

                               c`os beiços carnudos

                                              viçosos.”


 

 

 

    BOI-AR

 

 

Flutuas na água como um feto?

E no mar? Flutuas...Flutuas!

 

 

A boca fechada, o peito estufa

Ar preso no todo de uma bolha

Que emerge entre ondas

Branquinhas...

                   Flutuas...Flutuas?

Ar preso, peito inflado

Bolha solta que vagueia por segundos

                                             Profundos

 

Ondas que vem e vão.

 

Num repente, emersão abrupta

Mil gotículas que se espalham

Cabeça em volteio, peito recheio

Pés que flutuam no ar

Boi                           ar

Boi-ar

Boiar boi.

 


 

 

 

        3.

 

 

OS PÉS GRAVITAM

ALÉM DO CHÃO

 

TROCO PALAVRAS

POR NINHARIA.

 

A BELA RUSSA

DANKAN

DANÇA NA SALA

 

PÉS NO SOALHO.

TUDO ESTALA.

SALTO. SUSTO. SOM.

NADA SE FALA

NEM A DANÇA PALAVRA, NADA

ALEM DO CHÃO

LAVRA

SALTO. SUSTO. SOM. CALA.


 

 

 

 

         IV

 

 

O homem

É sossego

E porta.

 

Anverso

Verso

U N I V E R S O.

 

O homem

É a lama

Feita do solo

Da Terra.

 

Que se propaga

Através de misturas,

Químicas ERAS.

 

O homem

É amplidão e porta

Que se propaga.

P R A G A!


 

 

 

 

 

            DESNACER

 

 

 NA RELVA MANSA

 

 

A MÃE DESCANSA

 

 

NÃO CANSA MAIS

 

 

PRA RESPIRAR

 

 

O AR

                     27/10/98


 

 

                 

 

 

 

 

 

 

 

 

POEMAS DA PAIXÃO

 SOLTA NO PAPEL   


   

 

 


 [L1]

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