E corre assim...
“...Deus trinca a nuvem limpa
Que vejo crivada de luz
Na tinta...”.
Dentro deste museu
Durmo no agora
Então soturno, só durmo.
Ouvindo esse piano que vem do nada,
Cerzindo essas palavras do agora já
Quiçá do universo disperso,
Do que só agora transcrito,
Na batida, no atrito do verso
“...Entre a tinta e o papel
Transcrevo por aqui
Todas essas nuvens do céu”.
Como se tudo havendo lá
Acima de nossas cabeças
(Vibrações de células infindas)
Na nota aguda da sonoridade
Que ouço agora, nesta hora já.
Neste aqui, ali, lá.
E os meus dedos incansáveis
Dizem que é isso sim,
“O dedilhar no ar”
A aurora ali deixada
Aquilo que agora vem ser
Uma breve canção
Neste museu do esquecimento, então.
Ali estava eu de novo
A reinventar
Literais jogos de palavras
Entrave não entrave
Querendo “tudo” dizer
- Ave tropa alada
Travessa não atravessada -
Num céu de tintas cores
Num mar de infindas dores
Língua, horta de sons,
Plantada na garganta
Daquele que fala
Que debulha no jazz sujo
Daquilo que já foi surto
Em iguais construções
Donde solitário fujo
Diletas e singulares
Delatáveis ares, na aresta.
Que empresta
Métrica, compasso
Rimas do acaso
Na brancura vão,
Deste pensamento
Neste museu do esquecimento.
Mas...o que me dizes?
Poeta.
Há…que pena! Sou não.
Nos ares e seja lá o que será
Este lugar chamado ares,
No vácuo mesmo do som
Eis que surge
Essa parole, palavra prole
Esse caleidoscópio de sons
Tramas que se entrelaçam
Pelo gozo e tão somente
Por ele,
O gozo.
A chama se acende novamente
E já estou eu aqui “entre”
Como se imitasse Pã
Para lhe chamar
Vem!
Vida vã.
Haverá sentido
“...para aquilo que não se pensa,
Um nada crítico
Nem um tiquinho
Olha eu maninho...”
Mirando a borda da tarde
Quando a água corre, escorre
No engate
Das partes dela
Daquela que se faz pessoa
Em nossas vidas
Ela eu, eu ela.
Na brincadeira lã
Na manhã que é a tarde
Inversa só na poesia
No que havia há
Deste momento já
Na brincadeira vã
Do nem te desejo
Predicados, tens de fato
Feito pêra fruta, espera
Ou maçã, moça sã
Suaves pedaços de alegria
Tardante na viagem do d
E...
Mapeio a sala com meus instantes
Um café, um arfar de gente cansada,
Um nada de mim que se encontra
Com o inverso de tudo que sou eu
E consequentemente essa canção.
Canto canções de bem querer
Enquanto não chega a noite
Já que a tarde inversa
Na pressa do tempo,
Insiste em dizer.
É...
Noite não chega
Digo baixinho teu nome
Insone,
Vejo a vaga hora
A possível poesia
Neste mundo museu
Em que há, ...havia.
Correu o menino ao vento
E mirou o ouvido a ouvir
O zumbido da mata
De dentro
O alarido centro
De asas em pane
Dos mil elementos
Aves, pássaros,
Coisas que voam no tempo
...
Mas quem te calou
Ó moleque?
Foi mesmo o vento,
Bravio e sorrateiro
No oco da madeira.
Fez berro lento
No grotão do vale
Foi um chamado
Uma evocação
Coisas do nada das coisas
Brejo dos sentires sem razão
Ato de escrever por escrever
E ver
Que é possível então
Das doidas serpentes alojadas
no ventre de cada palavra mãe
nascer-se novamente
Por que era tempo de chorar
Deságua essa aguaceira
E molha, umedece tudo
Liquefaz essa canção
Que já não é
Que só que seja
Escreva
Dito: poeta!
Escreva.
Pois o papel branco a ser explorado
Aguarda-lhe.
Em guarda!!
Exercício do dizer
Que eu não digo
Que não lhe quero
Entre a côncava parte minha
Recebendo a protuberância
De tuas nádegas
A dilatar-se de fato
E nós no ato
Em tato osmose
Olfato
Não dizes que não
Faremos outros tratos
Outros contatos
Outros contratos
Outros sons
Outros atos
E diremos verdades
Sobre os fatos
E tuas coxas inexplicáveis
Como de fato, contemplo,
No templo,
A tua boca com meu paladar
Eu, o louco entre curvas,
Durmo um sono imprevisto
E acordo por acaso
No paraíso.
O sono imprevisto
Queria que eu escrevesse
Um poema
Antes de dormir
Poema este que falasse
Do homem que perdeu
O seu poema
Em algum lugar
Num canto por aí deixado
Quem sabe apenas no pensamento
E vento...
O tempo passou e ele, o poema,
Já não havia mais.
E quando a enxurrada delas, as
palavras,
Veio-lhe,
Já era tarde
Já era fim e meio
Num papel rabiscado às pressas
Para irritar o pensante
Surgiu a ponta de um labirinto
Nas ideias
Para ninguém o perceber
Para ele invisível ser
Nas nuances desse jogo inventado
Para quase nada supor
Que palavras e ideias se concatenavam
Submersas, tímidas lá.
Arranquei de meu, um pedaço
E me desfiz
E safei-me de mim
Desligando-me do que havia
Do pedaço de mim
Do que eu fui
Busquei outros pedaços
Outros abraços
Persegui instâncias diversas
Outros vértices
Outras quebradas e nada
Eu que quase humano
Quase insano
Perdi-me nas vielas desta canção
Buscando-me em pedaços
Já ensandecido
Quase louco novamente
Arranco de mim
PEDIDO
Peço-vos, perdão por amar-te
Por cometer-te
Neste ato
Voluntário involuntário
De sentimento torto
Onde então os meus sonhos,
Que gritam no deserto
Pulsão, compulsão
Pulso do mundo.
Onde andará
A musa que finge?
E a roda gira,
E a roda apenas roda
E o planeta trepida
Gritou-me:
É tarde! Vai deitar-te,
Vida.
Mas por que fiz isso?
Por que de mim um pedaço arranquei?
Embriagado pelas palavras
E sem saber bem por que
Tomei a atitude essa,
De arrancar um órgão meu
Um dedo,
Um dente,
Um signo
Um significado dentre
O riso que se expande
Acordo,
E não existindo o tempo
A similitude dele,
O se prometeu
O afeto
O afago
O diálogo que nos aprisiona
O verso que nos condensa
A brava aurora contempla
A Palavra manca
Que nos despe franca,
Por mais que ocultemos o sentido
Se joga no acaso e vai...
Vai indo doida
Catando coisas ali...
No ermo do nada
Da logorréia ali deixada
Intocada e incontida
Desdizer
E eu
me escondendo
Atrás das palavras
Querendo dizer
O que não quero dizer
Ocultando permutas vagas
Além da conta
Além do ler
E se volto ao pote
Da temperança
É para aguardar
Na quietude da ânsia
Uma circunstância
“...De um ciclope
Preso em sua caverna
A forjar no fogo, seu dom.”
Vê-se, vemos a máquina
Pousar na superfície do cometa
Nesse ontem, hoje
Na pressa em que me apresso
Apregôo
Eu que sou poeta
Que mamo da palavra
O leite, o azeite
O sumo
O escorrido mel.
Do cadafalso da estética
Sou atirado
E despenco na ribanceira do
Comunicar-me.
Não necessariamente contigo
Leitor,
Talvez quem sabe, comigo mesmo.
E eu me estico e recomeço
Na pressa em que me exponho
Ante a emboscada crassa
Do arredio sintoma
Do que nos prende e liberta
Horas, essa...
Quero-te embaixo dos cobertores
Das cobertas, no ócio
Palavra
O Improvável
Trago em mim de ti
Poucas palavras
O suficiente verso
Pra te dar um sentido
Um significado que sirva ao outro
Ao mesmo tempo eu de sempre
Que se configura, figura
Esse verso a mais na curva
Do bailado dela
Poesia, trova
Que tenta
Se configurar
Se definir em palavras
Pessoa inexata,
Tempo então, nem conto
Do meu ócio
Dava-me um traço
Um significado
Um significante
A aurora na letra
Em que eu ali deixara
Enaltecida na lavra
No aquecido esquecido
Troféu
Amealhado no bronze
No verso, no ante verso
“...
Tomava a minha mão
E sentado quase ao meu lado
“Ensinava-me a escrever-te...”
Ver-te
Palavra
Combinado?
Então ficou combinado
Que após escovar os dentes
E lavar o rosto,
Enxugá-lo na toalha puída
Escreveria um poema que diz
Não sabe do tal, o tema
Que a verborragia,
Paisagem das letras entremeadas
Façam sentido
No zunido do zumbido
Da folha quente que
Ali me espera
O que não esse si não
“...Que a canção existe
Pra chamar de amor
Que seja sedução
Assim como nos dá a rima...”
....E quem não bebe
Do teu lírio
Ó moça,
Fluida moça
No aos pés dos teus ouvidos
Permita-me
Prender-me em ti
Palavra
De intenções minhas...
Sinto-me liberto com as palavras
Como se ela, tábua salvadora,
Tal qual num oceano
Destes que vislumbram noite e dia
Calmarias e verdadeiros tufões
Liberto como num livreto
Aberto em que se escreve
Descreve cada ato
Panfleto
palavras
Como um diário? Pensaria.
Não.
Vivo em estado poético, eu que poenta
não sou.
Do fim que é o começo de tudo
Não espero a porta
Sigo adiante
Como se o estacionar
Fosse entediante o suficiente
Antes
Então por isso
Sigamos à frente
Além
Mente...
“...Tá tudo tão perfeito
Que a brisa que bate leve
Mal sabe o quanto embala
Sonhos aqui e devaneios...”
Um verde tão verde
E calmo,
Abrevia a sombra
E sobre ela nossa casa
Cheia de nós
Acolhemos livros, palavras,
Coisas, necessidades
Entre a sombra e a luz da copa
Dessa majestosa árvore da qual
Nem sei o nome,
...
São mansas árvores até,
E o sol forte e bravio penetra
Sem dó, suas entremeanças
De árvore frondosa
Que diz, estou aqui.
No se abrevia conformada
Mansa que é,
A luzir mesmo assim.
Como se ela fosse árvore e sol
Ao mesmo tempo
É isso que me move.
“...Absolutamente
Tudo é escrita,
Pois se te reconheço
Como código, apenas...”
Tem um lugar delicado
Que sou eu mesmo
Onde nenhum gesto involuntário
Nenhuma canção,
Por menor que seja,
Por assim dizer
Me censure voluntariamente.
E como se ouvisse pássaros dentro
Do apartamento
Não!
É apenas o vento
Diria aquele neste momento
Não! É apenas o vento
(....)
O Sempre
O tempo
presente não é,
Infelizmente,
de comunhão.
É um tempo
de sempre,
de guerras à
festa de celebração.
Somos muito
engraçados, muito engraçados.
E trágicos.
E por assim
ser, melhor dizer:
Somos
tragicômicos, por que não?
As dores
humanas se processam
De cada um
de nós.
Mais
tecnologia, mais sabedoria
Mais
aferição,
Cientistas concluindo
A partir no
nosso gen,
Nosso
destino fim.
Eu não diria
final dos tempos,
Falaria de
finitude deste raciocínio.
Tudo são
palavras. Não?
Então me
encare,
Me olhe de
frente,
Felizmente
ou infelizmente,
E sigamos à
frente.
Leitores,
ouvintes,
Testemunhas,
Cada um de
nós,
Os que têm
voz,
Os que voz
não tem.
Tempo de
desesperança
Diriam
alguns,
Tempo de
sempre
Diríamos
nós.
Esse tempo
Como tantos
outros,
Dirão os
incautos, enfim.
Constatação
do medo
Que herdamos
E levamos
conosco
No sempre.
Escrevo
Se não quero
escrever,
Escrevo.
Se apenas
penso em escrever,
Trevo,
travessão,
A canção
anunciada pela boca,
Se instaura.
Hora outra
Se neste
indesejado
Desarranjo
No que mais
desejo
Pranto,
protesto, reclamação.
E a canção
revelada
Se mostra
grafada
No céu,
Na área em
branco
No micro
universo
Da folha de
papel.
Se a hora
não é essa,
Na pressa.
Escrevo.
Se não
desejava escrever,
Faço-o sem
restrições.
Se não nem a
sonoridade,
Que me
escapa,
Torna na
trava,
Da trova,
Do que é
simples canção
Aceno, no
início do todo,
Na tarde.
E tem que
ser nela,
Que se
instaura bela.
Já não
era mais à tarde
Dizendo
feito mote
Feito motor
Que lhe
coloca
Digamos
assim,
Na
circunstância?
Quem
está batendo na porta?
A tarde!
Olá dona
tarde, boa tarde,
E consigo
mesmo
No
desenrolar das horas
Solfeja
um verso aqui
Ali
Falando da
tarde
Que outra é
Num poema do
passado
Caia-lhe
como melancólico
Instante
Mas neste
presente, inclemente.
Menos sábio
e mais ouvinte
Cantamos
aqui
ali
Um verso
prosa
Com nós
amigos do início
De tudo isso
Pretendo
revelar sentimentos
Mas quanto
mais duras
As palavras
Rebelam na
porta do agora
E ecoam sim
Reverberam
tão forte
Que se
misturam
Ao todo do
dizer
Volte
ao moto
Dom Quixote
das vogais
Letra
absurso!
Desejo mudo,
Anti herói
do solfejo
Vejo
Desejo
Esqueço
Garganteador
do verso
Hora por que
não dizer
Outra vez,
Já não era
mais a tarde
De sempre.
Vazante,
dormente
Até dolorida
as vezes.
Não, já não
é mais a tarde
A mesma
tarde
Que agora
viva-se
Presente
Instante
Solta um
silvo
Uma baforada
Um beijo em
quem namoras
Na música
que ouves agora
Mas
Já não é
mais a mesma
Tarde
Não
“É hora
do verso
Falho
Da
palavra manca”
Do
sentimento falso
Sacolejante
braço,
Que se
expande na cena
Na tinta que
lhe confere
Significado
neste Universo
De buscas,
procuras,
Procuras,
buscas
E um pouco
mais
Hora do jazz
Take on
Take five
Decretada a
hora de deixar
Os naipes de
metais daquela
Banda de
jazz tocar
E contaminar
o ar
O instante
com sua pancada certeira
Do presente,
Para quem
agora há
No sempre
Na dança
manca
Não há
muito
O Amanhã,
Há o hoje
O agora
já.
Redundante
Hora que se
vai
Se
desenhando num plano
Numa meta
Numa direção
Não é poema
nem canção
Cinema não é
Esqueça.
E teça
comigo
Outros
planos
As sobras
dos nossos enganos
Do nosso
tempo ganho
Na estrada.
Na ponte que
se fez
Por simples
amor
Olha o verso
Soprado ali
“o
farfalhar de folhas
Bolhas,
Pó!
O entrelaçar
de tramas
De contas no
verso
Não há
muito
O amanhã,
Há o hoje
O agora.
Redundante
Hora que se
vai
Desenhando
num plano
Numa meta
Numa
direção.
E teça
comigo
Novos planos
Na então
Algazarra
Na farra
mesmo
Assustada
O poema
pirou
Disse nada!
As sombras
dos nossos enganos
Do nosso
tempo ganho
No aqui
agora
Nessa hora
Aqui já.
Na parte que
se fez
No simples
Por simples
amor
Olha o verso
sobrando ali, vê
“O
farfalhar de folhas
Bolhas,
Pó!”
O entrelaçar
de tramas
Poeira
entre paineira
Colar de
contas no verso
“anverso
Do
reverso
Verso”
Na outra
vez que fui dama
Na cena do
verso
Por lhe
mostrar, além da plana
Visão
A linha
entre nós
E tudo o que
há
No entorno
Que nos
impele
Pro bem
Pro zen
“e
toquemos em frente”
Disse a mãe.
Na cachoeira
a correr pro mar.
Para a
cadela Bela
I
O tempo
passa mais rápido
Na vida
biológica dos cachorros
É a lógica,
E ela estar
velha, pois
Tem apenas
quatorze anos
Mas, esta
velha.
A Bela,
Antes
Belinha
Cachorros
são anjos
Que passam
por aqui
As vezes
latem
As vezes
mordem, as vezes uivam.
As vezes e
apenas as vezes
Ficam por
ali,
Ao nosso
lado estando, a sorrir.
E feito
mulata em dia de desfile
De carnaval
Mostram a
alegria balançando
O traseiro
com vivacidade.
Você dá
abraço, dá beijo
E ralha
quando cometem algum deslize.
Bela você
está velha,
E não tarde
teremos que nos despedir
Nunca
sabemos se antes você
Ou antes eu.
P.S. Belinha
se foi num agosto de um ano ai.
O tempo,
sucessão de fatos, como diz
II
Em algum
lugar, Cecília Meireles.
Tempo de
calor abrasador
Tempo do
frio
Tempo do
lúdico em nós
Tempo de
festa
Tempo de
reflexão
Tempo de
roncar como uma velha
Tempo de
esperar por um pão
Bela você é
velha
Indo-se aos
poucos
Pra longe do
nosso convívio
Certeza que
bem já dizia
Se não
latisse apenas
Que por aqui
nem gostaria
De estar
Mas quem
determina
Hora e dia
Incompletude
A busca
é sempre um meio
De se
encontrar algo
Que não
necessariamente
Está à
mostra
A busca
então se torna
Se não
um tempo ao tempo
Daquilo
que se procura
Em cada
canto
Onde se
supunha estar
O que
buscamos.
A nave
no lá
A aurora
anunciada
Tua face
então deixada
No
reflexo do espelho
No
centro do cerne
De minha
questão
A busca
é
Um fim e
um meio
Quando o
desencontrar
Torna-se
motivação
Da
procura
Pelo que
então virá a ser
Nasci de
uma atração
Entre
duas pessoas
E tornei
o resultado
Daquilo
tudo
A
atração que se fez
Evento
Acontecimento
Entre
aqueles que quiseram
Gerar
alguma coisa
E depois
pensei:
Essa
coisa sou eu
Incompleta
e incerta
Como o
céu que
Abre-se
sobre nossas cabeças
Lá no
longe
O
alarido dos pequeninos
Abre a
janela
Para
possibilidades
Saídas e
entradas
Não
necessariamente
Buscadas
Somente
resultados
Faltantes
Cara na
minha cara
Fala na
minha fala
Trava na
minha trova
Onde ela
se instaurou
Aquela
mesmo
Orgasmo
de sensações
Do verbo
Palavra
tagarela
Que fala
por si
Enseja,
reversa
Diz que
se diz
De si
mesma
Ora veja
Ressalte,
reveja
Nosso
sono
Mais que
iluminado
Não que
se quisesse
Fazer
presente
Se
instaurar
Na lente
do instante
Já
Naquela
hora ali
Regozijava-se
Consigo
mesmo
Vai daí
Que hora
menos hora
Um certo
grau de lucidez
Se faz
em sua mente
E que
você
Na busca
desse complemento
Que
nunca chega
Que
nunca vem
Mais e
mais dá passos
À frente
do que seria
Então
somente
Lugar
Mas o
Planeta Terra
É lugar
nenhum
Por onde
navega
Você e
sua rima
seu sono
Você aí
e sua perda
Você e
seu pesadelo
Oras
essa
Mas quem
estaria
Por
assim dizer:
Com
pressa
De
chegar a nenhum lugar
Abriu-se
novamente
A fresta
da ferida
E
rebrilhada
Com a
luz que vem das pedras
Com o
reflexo
Dessa
jornada
É que te
alegra
O
pensar, o pensar
Esse
irresponsável ser
Fora de si
Louco
por assim dizer
Louco de
pedra
Como
diriam alguns
Eu não
estaria
Perdido
comigo mesmo
Se não
fosse o vento
Que me
trouxe no seu bojo
E me
indicou dos males
Essa
empreitada
Rimas no
nada
Tocas no
fundo
Do que
ainda restou
Clamas
pelo que seria
Quem
sabe afeto
E no
entanto
Clamas
sozinho
Inda
clamas.
Impossível
não olha em tua face
Ver que
muito nela mudou
Que o
sol por décadas
Queimou
sua pele e agora
Ela
ressecada envolve em
Rugas e
rugas lembram o tempo
Mas
também que este tempo
Reúne
histórias de nós
De todos
Como se
fosse preciso
Vivê-lo
efetivamente
Para
então, presente hoje
Constatar
em nós
O não
tempo da irmandade
Daquilo
nos fez feliz
Das
pessoas que se envolveram
Nessa
nossa história familiar
No ar,
no céu, nosso oceano
De horas
Acordemos
então para o presente
E mesmo
com o rosto enrugado
Sentirmos,
por que não
Conservados
Como uma
sardinha em lata
Que tem
prazo de validade
Parece
que nosso tempo venceu
Mas que
no entanto
Continuamos
vivos pelo simples
Fatos de
que eu sei que você
Se encontra
por ai
Como um
artigo numa vitrine e
Eu sigo
por aqui
A
escrever crimes do existir talvez.
Encontrasse
eu, uma saída
Uma
porta aberta
Uma rota
de fuga
Pra um
outro lugar
Mas...
O último
fragmento que
Captei
sobre mim mesmo
Foi o
fragmento de dor
Que
resolveu se apresentar
Em parte
do meu corpo
Como
quem chama atenção
Pra si
mesma.
A dor se
estabelece acima do
Que
conseguimos pensar,
E não
bastam recomendações médicas,
Comprimidos
disso e daquilo,
A dor é
sentida e ponto
Não há
saída.
Por isso
em mais um dia
O
terceiro com ela presente
Em mim
ainda é um corpo
O
incompleto,
O por
fazer,
A busca
de sempre
O buscar
até onde
Nem se
imagina
A
felicidade alcançada
E a
felicidade já usufruída
Que fez
efeito em mim
Que
agora, egoísta mesmo,
Já busca
outras formas
De
felicidade
E não há
parâmetro
Não há
medida
Não há
tamanho
Essa que
seria
A
felicidade que buscamos
Descartável
Assim
são estes tempos de agora
Onde
tudo é meio descartável
O amor
em alta
O amor
em baixa
É
descartável
O sábio,
o gênio
Com o sem
lâmpada
Descartável
O homem
do campo
O
home da cidade
O cinema
Descartáveis
O
argumento a absolvição
Descartáveis
O
perdão. A indignação
Descartáveis
Tudo,
tudo caminho
Pro
descarte, pro lixo
Que
reverbera no esáço
Existente
O que é
essencial e o
Descartável
Lições
de amor, ingratidão
Dor
Descartáveis
A hora
essa, a mesma
O riso,
a pressa
A
derrocada
O
desgelo dos continentes gelados
A feira
livre
O ladrão
que passa ao lado
O rumor
de agora
O temor
de ontem
Tudo se
apresenta
Descartáveis
Incompleto
céu
Incompleto
saber
Quando
me buscas
Incompleto
teor quando
Me
explicas à alguém
Incompleto
sentido
Quando
traduzes o que
Não digo
Incompleto
eu
Incompleto
você
Que não
se resolve
Da noite
pro dia
E adia
as definições
Ao pé da
letra
Ficam incompletos,
A noite,
O dia,
A
narrativa que se inicia.
Incompletos,
Os
medos,
Os
desejos,
O sonho
que de abrevia.
Incompletas
As
palavras
Intenções
E
discursos ante a
Pra que
serviram-me as palavras
Se não
fosse para contestar?
Contestar
governos corruptos
Espertalhões
políticos que abusam
Da
ingenuidade do Povo
Do que
serviram-me as palavras
Se não
fosse para protestar
Contra a
falta de humanidade
Em
alguns líderes da Nação?
Do que
me serviram as palavras
Se não
fosse para dizer
Como os
índios:
Parem de
nos matar
Do que
serviram as palavras
Se não
fosse pra denunciar?
Denunciar
a mortandade da
Vida
marítima causada pela
Poluição
que despejamos
Nos
oceanos
Do que
serviram as palavras
Se não
fosse para alertar
Aos
desavisados
Sobre a
doença humana
De judiar dos animais indefesos
Do que
serviram as palavras
Se não
fosse para despertar
O
inocente
Eu me
furtei de te encontrar
Queria
não
Rever-te
entre céu e mar
Estrela
alvissareira lá
Solitária
então, quem desejará
Eu me
furtei de te buscar
No
reduto mais distante
Na nau a
deriva em alto mar
Nas
possibilidades todas
No
desencontro tonto
De não
saber nem se entrever
A ti
criança mimada
Eu me
furtei do teu sol
Da tua
luz
E até
mesmo das nossas lembranças
Mais
recônditas
Eu fui
me furtando
Da sua
presença
E
escolhi não escolher
O nossos
olhos veem
Ao olhar
um na direção do outro
Eu fui o
outro
Se
desfazendo em gotículas de
Nada no
nada
Ao sol
di meio dia.
Agora
que o mundo acabou
Que não
há nem céu nem chão
Que o
mar despareceu e
Que o
sol no Universo se escondeu
Tudo é
escuridão
Agora
que não há mais história
Nem
derrota nem glória
Que vida
não há
Resta a
memória do que foi
Que
seria
No então
haverá de ser
Um
jamais sem conta
Uma
mente ainda doentia
Intui o
amanhã,
Mas
amanhã não haverá
A música
que foi tocada
A tela
que foi pintada
O filme
que foi realizado
O texto
que foi escrito
O livro
que foi publicado
Foi nada
então que restou
Não há
mais a frente, nem o verso
Não há o
acima nem o abaixo
Não há o
que se perdeu
Nem o
que se encontrou
Não há mais
amor
E o ódio
se acabou
A ideia
de Deus ficou
Lá onde
sempre esteve
E o
inferno extinguiu-se
Num
efeito especial de um
Filme de
Tarantino
Não há
mais menina
Nem
menino há
Os sexos
agora não vigoram
Apenas
uma nave sem rumo
E quase
sem provimento
Distancia-se
além Cosmo
Levando
algumas informações
Do que
aqui havia
Não há
horas, momentos
Dias
Não há
nem palavra
Para
contar o que
Aqui se
passou
Por que
essa escrita vem
Da nave
onde estou
Mero e
velho
Computador
nesta nave
Sem rumo
vou.
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