FICAR CONSIGO
INTEIRO,
POR ALGUNS JANEIROS,
POR ALGUNS JANEIROS.
E QUE VENHAM SETEMBROS
E DANÇAS E LOAS
QUE NOS RETARDE UM TEMPO
DENTRO DA CHAMA
QUE NÓS ACENDEMOS.
E QUE VENHAM AS TRAMAS
OS ENLACES, OS DRAMAS
E CHOREMOS NENHUM VERSO
NEM QUASE RIMA.
E SE A PALAVRA VALE POUCO
E O SILENCIO OURO VALE,
MUDEZ ENTÃO
PRA NÃO QUEBRAR O CLIMA,
NÃO DESGASTAR A RIMA
NA COMUNICAÇÃO
Contundente
Dente,
Que morde a carne
Que sangra,
Escorrendo vermelho
Pelo tapete
Voador.
Naquela tarde
De pleno verão
Fora da cena,
Acena pra mim
outra mão.
Escorre então o sangue
e decorre do vôo
Impreciso
num decidido
Não.
No dia que lhe der saudades,
cante uma palavra.
“esperança”
Na hora que sentir sede,
use essa palavra.
“justiça”
No momento que quiser o
verde,
pegue essa palavra.
“harmonia”
Ante a beatificação do
homem,
anuncie essa palavra.
“sonho’
Quando a hora for chegada,
tente uma palavra.
“tolerância”
Se, no entanto, nada for
feito,
pegue outra palavra.
“paz”
E se por fim, tudo estiver
desfeito,
escreva essa palavra.
“amor”
e busque sempre a
explicação.
ela
Inscreveu-se como flor
Contornando minha pele
Perfumando tudo com seu
odor.
e o que se revela
A partir do instante cor
Flor e flor
Sensualidade de uma
Emmanuele;
Se a França aqui não é,
Que de sorte sois e sou
Em apenas um, nós,
Aura clara e germe.
Um precipício de dor
É o que nos impele
Por amor, amor.
Ao que em nós, se adere.
Vem-me então em glórias gotas
Um torpor,
Suave som suor
Quando o que chamamos
Seja o que for
Flor e flor
Em nós, olor
Lippia
citriodora
Up
to date for
Flora.
E VEM COM A HORA
O poema de Delfos
A Lua e seus enigmáticos
ares
Olhai o verso
Com o qual inscrevo
Nossas mais recônditas
E inenarráveis viagens
Vem com a hora
Um presente fugaz
Pesadelo.
Como se o segundo fosse
único
Enredados no acaso
Qual fosse então um novelo
Não de linhas nem de lãs
Mas de idéias.
Vem com a hora
E é como se as palavras
Lavradas no nada,
Tudo quisessem dizer:
Rasura minha,
Um poema
Som, sou,
Ser.
JÁ.
Leu um romance?
Já.
Cantou uma cantiga?
Já.
Beijou,
Amou alguém na vida?
Já.
Fugiu de intriga?
Já.
Procurou uma saída?
Já
Encontrou-a feliz da vida?
Já.
Teve ciúmes?
...
A procura
Procuro na sala
Tu não estas,
Procuro no quarto
Já passou por aqui.
Na cozinha;
As sobras da mesa denunciam:
Por aqui já passou.
E eu que vim aqui
Para dizer quero-te
E mais uma vez, te quero.
Mas no jardim nem sombra tua
No telhado o gato parado
(na leveza desse momento)
não verbaliza uma idéia de
teu paradeiro
nem cá embaixo,
o cãozinho que transita pela
casa, arfando
(como quem ladra pra mim)
perguntando:
-
estas só?
-
No que eu respondo de pronto:
-
Sim.
QUANDO RECUSAS UM BEIJO
Por simplesmente não querer
Ou por um motivo qualquer,
A sensação de perda do
instante
Me toma o peito.
E na dúvida não sei se no
beijo
O mais importante no ato
fica sendo
O fato da conquista desta
boca
Ante a recusa chora meu
peito
Quietinho e desprotegido
Tenta me distrair,
com a recusa
Um livro que não leio
Enquanto perdido, vejo:
Como num filme imaginário
Concluo um pensamento:
O meu anseio
E por vezes muitas, nele
Te beijo
E na pura imaginação cortejo
E tenho entre os braços
O prometido e desejado
Corpo.
Que agora constato e vejo
Que é meu.
UM GOSTO
De palavra na boca.
Um rosto que se instaura na
tela
Sois bela, sois bela.
Quero afinal a tarde
Entre gerânios e credos
Solfejas pois, nua no salão
vazio.
Mãos atadas ao labor
Decorrem versos e por si,
dor
Poeta de profissão
Respira fundo num fulgor
E vaga com a lua pálida lá
fora
Nos céus da tarde.
Quer o fogo
E ao mesmo tempo paz
Tanto faz,
Guerras, fogo, acordo
Dança consigo mesmo
A sombra
Deixar estar num avermelhado
Inexplicavelmente belo.
Papel
Caneta; oba!
Agora eu me vingo
E finco nele
Futuras idéias
Qual verdades científicas
que certificam previsões
Conclamadas visões
Grifo, silvo
Na SELVA das formas
Na máfia dos sons
Me perco sem endereço
Pateons das poesias
pregressas
Desarticuladas métricas
Moinhos de tintas
Tontas tonalidades
Verdades!!!
VEJO-TE TÃO FEMININA
Cuidando
das tuas coisas,
Guardando
algumas peças de roupa:
Tolha,
meia, calcinha.
Vejo-te
tão menininha
Apesar
do tempo já marcar a tua face,
E
tuas coxas não serem tão roliças
Como
antigamente.
Estais
aqui na minha frente.
Mulher,
fêmea, presente.
Completando
todos os meus momentos,
Realizando
os desejos que eu, quase humano, tenho.
E
se é porque te beijo assim mil vezes,
O
maior dos desejos seria eternizá-la;
Pelo
menos em minha mente.
Como
isto, não creio possível,
Deixo
então, contigo, meu humano amor
E
que ele fique gravado
Nos
autos do eternamente.
Poeta, um
clamor.
Hei, poeta!
Dá-me um pouco de tua
poética
Sem fios,
Da vertente sonora
Do teu mais complexo buscar
Nas escolas literárias, uma saída
Na musicalidade, um pulsar.
Hei, poeta!
Dá-me um pouco de oxigênio
Pela boca
E dos póros faça-me inflar o
pulmão,
Como quem se expressa na
pressa
Sentidos sentimentos, ora
essa,
Porque não?
E que movem o inanimado
E desperta o distraído
Recompõe dos esquecidos
O furor de uma Nação.
Hei, poeta!
Queres me dizer de uma vez
Uma ou duas palavras
E que na insensata
embriaguez
Possa eu mastigá-las
E por acaso e num breve
instante
Ora, ora
Ver, das trevas profundas
A mais brilhante aurora.
Hei, poeta!
Ouça bem o que lhe digo
E se escrevo em palavras
Neste endereçamento inexato,
busco contato contigo
Poeta!
Personagem da pura
imaginação
De idealização.
Hei, poeta!
Dá-me aquilo que não cessa
Futurologias
Planetas inabitados
Siber conexões
Claves, apoio
Notas musicais
Hei, poeta!
Por que não ouves meu
pedido,
Uma vez mais,
Eu leitor aturdido
Carente de rimas quentes
E de métrica tão irregular
Qual ar
Conspirações absurdas
Contradições obtusas
Preleções sem sentido
Hei, poeta!
Atenda ao meu pedido.
IMPOTENTE
OU NASCER PARA MORRER.
É O PAI, NA FAIXA DE GAZA
NA CISJORDÂNIA,
TENDO O FILHO DE POUCA IDADE
ALVEJADO POR UM TIRO
DE METRALHADORA ASSASINA.
CHOQUES ISRAEL-PALESTINOS
MATAM MAIS 19.
PALESTINO BEIJA SUA FILHA DE
18 MESES
SARA, ANTES DE SER ENTERRADA
NABLUS (CISJORDÂNIA)
“NASCER PARA MORRER”
TALVEZ UMA QUESTÃO CULTURAL
ESSE RETRATO DA MORTE
QUE HORA SE APRESENTA
TALVEZ UMA QUESTÃO DE ETINIA
ESSE QUADRO DE HORROR
DE DOR QUE INVADE NOSSOS
OLHOS
EM FORMA DE NOTICIÁRIO.
OS LIVROS DA SABEDORIA
HUMANA
DAS CIÊNCIAS HUMANAS, POR
ASSIM DIZER,
SERÃO FECHADOS PARA SEMPRE
E A BARBÁRIE VAI IMPERÁ.
ESSA É A REGRA DO JOGO
ENTÃO ESTAMOS ESTRESSADOS
DESESPERANÇOSOS
PRECISAMOS DE FREUD
PRECISAMOS DE NOSSO PAI
PRECISAMOS DE NOSSA MÃE
DELE A MÃO SEGURA
DELA O ÚTERO QUENTE
E NÃO ADIANTA LAMENTAR-SE
IRA CONTIDA, EM VÃO.
QUIETUDE PLENA, ILUSÃO.
TIROS TILINTAM NO JORNAL DA
TV
A SOPA LOGO SERÁ SERVIDA
E UM CORAÇÃO DE POETA
ENTRE A TAQUICARDIA DO AMOR
LAMENTA O SOL
QUE ENSISTE EM BRILHAR
SOBRE A POEIRA, O CAOS.
PALESTINOS ARREMESSAM PEDRAS
CONTRA TROPAS ISRAELENSES
NO CONFLITO EM RAMALLAH
ONDE ALGUNS PALESTINOS,
ÁRABES
E JUDEUS TOMBAM PELA CAUSA.
HÁ SEMPRE UMA CAUSA.
HÁ SEMPRE UM MOTIVO
NESTE CICLO SEM SENTIDO
NASCER PARA MORRER
OU SERÁ MELHOR
NEM NASCER.
Ah, quem sabe do deserto
lunar
Ecoe em vão o som da palavra
Paz..
CABEÇA
Estava,
Estive
Com o umbigo perfurado
Por um dardo
Vazando ali
Das entranhas
Impurezas e do acaso,
Outro se não um vasto
Alo de cores frias
Escorregadias
Que perturbavam
A noite e o dia, entrelaçados.
Das horas que então...
Me ocorria o fato
De eu ter que despertar
Do pesadelo
Instaurado dentro dela.
E por não vê-lo
Além muro, além fronteira
Razão centro
Da perfuração por dentro
As cores, o torpor
Veio então o esgotamento
E por fim o desfalecimento
Dela,
Cabeça que atormentada dorme
no nada.
MÃOS A OBRA
Um índio enfurecido
Salta
de dentro de mim
Como
se fosse um fogo primal
num
grito primaveril.
As células da natureza
De
propósito se interagem
Na
poesia que vai contaminando.
O
ato da mão sobre a folha branca
Então,
vertente que não se estanca
O
claro de tudo querer
Não
por acaso. Não só por ser poeta
Água
evaporando nossos vultos do passado,
Passando
ao nosso lado
Onde
se encontra saída e entrada
Além
da conta,
Contaminando.
Por
todos os lados,
Da
raiz
Dos sonhos mais ocultos,
Das
formas disformes
Do
já deformado.
Que
trançam sua métrica
E
informam suas propostas no papel
Que
o vento fez cair o vél
Num
céu de letras
Não
por si, não atoa
Invadindo
com o vento
Todos
os cômodos, todos os cantos
Todas
as comas da pauta
Por
onde eu, nomeado agora
Poeta,
adentro,
Poeta
e suas dúvidas
E
seus entraves verbais
No
instante que pensa
Improvisa,
rabisca
No
nada do branco do papel
Que
não se intimida
Ao
expor-se na vitrine do céu
Imperfeito
céu
Primaveril
Marketing
de fósseis
Escavados
na poeira
Das
esquecidas estantes.
p.s.
E lá vem a enfermeira com
mais uma injeção, dá-se por contente ao ver-me tombar sobre a escrivaninha como
quem diz, adormeci um leão.
Não
havia nada que esgotasse
Aquela hora,
fugisse então
De mim todo momento sentido
Da arte vindo como num átimo
O vento soprando lento
E só pra anunciar na minha cara,
És poeta, não como quem pergunta
Mas como quem confirma, o que se
difere
Já temia eu, poeta.
Pois então se tem e te vem vertentes
De idéias, palavras perdidas do
acaso
Âmago e perguntas
Confirmando ali a cada letra imprensa
Inconstância, verso, temor
Do acaso vir a ser nesta hora,
Nesta mesma mensagem e
Em que me entrego
Por que eu sou raio
Sou som
Sou então,
P
A L A
V R A
Que sempre renasce fortalecida
Se em ti mereça ser classificada
No rebuscado caderno
Teor e sentido
Não por nada
Paquidérmica
Epidérmica
Palavra
F A
L A R
E S
MUSA DE NEGRO VESTIDO
SANDÁLIA
NO PÉ
ESTÁLO
ESTILO QUE CADENCIA
SEU
ANDAR E FALA.
DANÇA PRA MIM
QUE SOU POETA
E TE ADIMIRO
COM FOME DE GAVIÃO
SERÁ QUE É PRA MIM AQUELA
PALAVRA?
AQUELE PALAVRÃO?
Rua nicácio pinto,
279, bloco b
Apartamento 32 vento e depois
Praia do futuro...
Leve
Um dia temos nome
e endereço
E pro pib do país,
um preço,
E formas, e idéias,
E saídas e entradas.
Um dia não temos nada,
Um corpo estagnado,
Um lugar demarcado.
E a fria terra dos
assombrados.
Mens.
à Douglas Martins.
Da série: as últimas horas
do milênio:
Papel
e papeis amontoados,
As
vezes abandonados e
Blocos,
cadernos, folhas,
Caderneta,
bloquinho, agenda
Perdidas
e sobra de folhas
Bordas
de jornal, papel de embalagem de pão
De
alguma padaria do Centro Velho
E
tuas nádegas , tuas coxas
Meu
delírio , os teus beijos
E
ainda bem que existe
Esta
hora que do milênio
É
uma última, sem retrocesso
Como
o progresso dos fatos
A
evolução e a essência redundante
Do
momento da descoberta da coberta
E
teu corpo entre
E
devaneios e silvos teus
Ainda
bem que existe silêncio
Pra
ser escutado, pra ser sentido
Pra
ser envolvido por nossos
Gemidos
poéticos com os últimos
Instantes
do milênio
E ainda bem que existem canetas, lápis, pincel,
resultado de tintas
E
atritos
Motricidade,
idéias
Tarde
através da janela
E
calçada molhada refletindo
Cegamente
o sol, luz, automóveis
E
mãos de mulher.
Pessoas,
mulheres, mãos lavando
E
que existe água, panos, baldes
Limpeza
de pele, superfície de brilhos intensos
De
reflexos , de luz, de mulher
Lavando
paredes, concretos,
E
telefones e sons e o pessoas
Que
chamam na tarde
E
então, após devorar-te
Arte
Renasceria
sem morrido Ter.
“E se fui da
caça um viril caçador
Que espreita
sutil, e
Ataca veloz
E devora sua
presa
Minha fera
hora enjaulada,
E se por nada
Fiz por
travesseiro
O teu roliço
traseiro
Que me sustem,
Te amo
desbragadamente
Meu bem.”
MENU
HOSPITALAR
Na vasilha transparente
O
líquido num branco pálido
Oculta
a batata e as postas de frango
Que
repousam no fundo
Junto
aos temperos e legumes
Uma
farinha de milho em flocos
Aguarda
sua vez
Assim
como o vinho
Colher
e a boca pra degustar
O
vinho é invenção minha
E o
copo dágua
Supre
esquecidas necessidades
A
enfermeira sorridente
Instruída
pelo hospital
Imagina-me
por trás da máscara
Um
paciente exemplar
Mas
se a sopa a minha frente
A
boca oculta desta princesa
Faz-me
lua imaginar
Que
esteja assim sorridente
Tem-me
como seu pretendente
E
não custa pra num repente
Um
beijo eu lhe roubar.
PeQuenAs
LeTraS
E
aquele medo de ser pego
as
escondidas
onde
o silencio impera
e
nada se explica,
e
dele mesmo ouço saírem
silvos
vivos de sensações
De
quem tocada por dentro, fremente
Geme
e sente
No
vale dos assombrados
ecoando
tais canções
E
até os monges que vivem
em
cavernas, exilados
captam
tais trinados
e
com elas fundem mantras
e
buscam resultados sagrados
Mas
é apenas o amor, que as escondidas
Expressa
na profundidade
Paraíso-Hades
Vida.
II
O
lanche da tarde
Foi
bela ao sol
Próximo
da janela
Umas
curvas inexplicáveis.
Vivas
de encanto
Enquanto
eu, santo
Anjo
em pecado,
Sorvo
delicias do teu pescoço
Seio,
cintura, coxas
Que
assimilo com os dedos
Deixando
marcas na sua memória;
E
como quem datilografa. Grafa.
Sorri
o riso que negava
E
faz-me poeta que pensou,
Tudo
renunciara.
E
pela rua cantando
Sairia
anunciando
Primaveras
no seu peito
Anja
intocada
Não
por nada,
Dá-me
tua mão,
desejo
Somente
a tua mão
E
já basta
Um
paraíso no beijo.
E
derretido
Os
nervos, as sensações
Em
névoa cobre, zinco
Na
quentura da fornalha
Que
é a vaga tua
Onde
evito,
Sem
atrito,
Penetrar.
Jogos
Por mais que
eu estudasse
O significado
de alguns
Jogos humanos
Jamais
entenderia
Aquela que a
frente da batalha
Se expõe de
peito aberto
Se rende aos
tiros do adversário
Como se não
fosse possível
Omitir-se
Entra na arena
e sente de perto
O bafejar dos
tigres
Deus meus!
Qual a questão em pauta
Jogo,
complexo, jogo
Onde se quer
chegar?
Nos dados e
nas cartas
Que se põe
sobre a mesa imaginária
Onde se expões
inimigas
Opositoras
mãos,
Então
Homero vai
para um lado
Ulisses noutra
direção
E no fundo
escuro do poço
Ouve-se o eco
de quem,
Evitando o
lamento
Constata a
verdade
Que hora se
mostra
Nítida
Transparente
em nós
Partilhados
E sós.
Aos pedaços no Cairo
Temia eu um
dia
Ter o
sentimento
Que agora em
meu peito
Se instaura
Me sinto
Aos pedaços no
Cairo
Balança
enferrujada das horas
Pêndulo
entumecido e estático
De Faucout
Temia eu essa
instancia
De verbos no
nada
De versos sem
sentido
Do nada
acontecido
E não mais uma
dupla em ação
Ulisses vai
para o Norte
Homero noutra
direção
Quem me faltem
as forças
Que ceguem-me
os olhos a luz
Que eu fique
em silêncio
No maior dos
retiros
Pois estou sem
rumo
Perdido na
Abey Road.
Eu que vivi
durante décadas
A beira do
lago azul em Cantervill,
Hoje no
deserto sem nome
Vejo fantasmas
ao redor
E penso fugir
de tudo
E de todos,
talvez uma saída
Pro Alabama Grill.
Mulher com pelo no
peito
E
quando as vezes se sente vontade
De
não mais se estar ali
Naquele
lugar
Que
sempre se esteve.
E
quando a violência vaza pela janela
Nas
mãos do adolescente
Que
a queima roupa liquida o professor
Tempo
de horror.
E
de alguma maneira se desintegrar
Sem
retorno nem trégua
A
violência vazando
Horror
crimes
Provocando
temores, arrepios
E
também sensações
Extremamente
desagradáveis
Sensações
sem nome as vezes
Sem
classificação.
Lá
uma queda de pressão
Um
batimento cardíaco
Descompassado
Sensações
de perda e é claro,
Palavras
ofuscadas na sala
E
o violento vazando
Entre
nós
Mulher
com cabelo no peito
Um
signo na tela
Porrada
na boca
Um
sangue vazando ali
(vê
no que dá amar o amor)
a
mulher com cabelo no peito
mais
máscula que fêmea
oposto
do oposto
nem
mulher nem homem
nem
rosto
é
a violência apenas
um
artigo selvagem
e
nenhuma paz
uma
configuração risível
do
que hora previsível
também
cabível
dentro
desta que é a questão
mulher
de cabelo no peito
esfinge
acalorada
canção.
Há anjos
A minha volta
E assassinos
As escondidas,
O temerário
Ponto e
A virgula.
.
Ficou
no passado
Imaculado
A imagem daquela dama
Bailarina de encantos
Como uma dádiva
Um fenômeno
da natureza
Do acaso
Que levou-me aos sete cantos
Do mundo
E me trouxe de volta
E no meu desencanto
afirmo no entanto,
era
literalmente flôr.
Masturbação frasal
Bom
dia
Quê?
Vou
indo
Porquê?
Eu
e você.
Toma
um café?
Agora
é sua vez
Parece
que vai chover
Outra
vez?
Tá
na hora
Evite
falar
Você
sabe o dia?
Não
conte o pecado
Procura
alguém?
Lado
a lado
Onde
que mora
Sim
Busco-te
as oito, ok
Não
Onde
vamos?
Dá-me
tua mão
Chega
logo?
Boa
noite
Não
faça cerimonia
Te
amo.
Cai
o pano
retrocesso
A pena suave
Deslisa sobre o papel
Déu em déu
Um riscado assim,
Uma voz de homem
Clama no jardim
Doce cadim de pausa
Num apedrejar
De letras
Eletrificadas
Resvale num vale
Teu charme ecumênico
Domenico instante
Segues adiante
Sem dar pistas
Nem explicação
Que palavras que eu diria
Autor atormentado?
Na tela
A outra face do insucesso
Voz de homem no processo
Verso
Retrocesso.
Por dentro da sala
(este
poema foi escrito assim que o autor levou uma pancada na cabeça quando tentava
encontrar aquela panela especial pra fazer a sopa do dia).
Fechada
escura
Por
onde, na penumbra
Do
breu
Nada
se configura
Há
um ser sincopado
Como
a música
Ao
lado
E
que nela contém
Como
um anjo
Segredos
insanos
Ora
totalmente definido
Como
um bicho
Da
natureza
Sã,
só e presa
Enebriada
e tesa
Que
mal se sabe racional
Tão
próximo pois, do humano
Dentro
da sala
Fechada
escura
Sarcófago,
sepultura
Há
um quase humano ser
Onde
essas reflexões
Profundas
Ou
mais rasas,
Rosas
reencarnadas
O
leva pra regiões brumosas
Densas,
Quase
profundas
(ai)
Na
ociosidade da sala
E
do tempo
Entre
a ausência de verbo
E
consequentemente de ação
Culmina,
nesta hora
Ali
Pregressa
a figura inferma
E
infame
Que
de poeta então
Se
proclame
E
saia roubando
Dos
outros as palavras
Para
construir
Nos
interiores das salas
Uma
cadeia de versos.
Gutemberg alçou vôo
Descabido sobre as nossas
Orelhas diluídas
Alvorecia
Na Sibéria
E na casa mia
Desencucada e parva
A turba responde de pronto
Aos últimos estímulos
Do líder tonto
Orquestração ofuscada
Pelo recochetear
Das bombas
Cégas e tontas
E eu escutante,
Por um instante
Talvez.
Avisto Guernicas
Repetidas nas paredes
O Oriente está em guerra
Conduz-me a mão o dano
Não tenho nenhum plano
Ao concluir
Este poema.
Há alguém do outro lado da
linha?
Que
possa sintonizar-se comigo
Através
da palavra
Uma
idéia, um princípio
Alguma
certeza fundamentada
Nalguma
filosofia
Da
fisiologia
Que
não seja da violência
Da
fome
Do
ciúme?
Há
alguém do outro lado da linha?
Que
desejando nada de meu
Seja
apenas gentil
Poupe-me
as balas de fuzil
E
me ouça uns reclamares
Deste
instante desconfortável?
Há
alguém do outro lado da linha
Que
me estenda o braço
E
envie uma ou duas palavras ?
Há
alguém do outro lado da linha
Que
por engano tenha aí ficado
E
ao ouvir-me delirante
Teça
versos petrificados
E
que ao invés de canção harmoniosa
Atire
palavras e falares desconexos
E
me faça compreender em vão
Entre
o fim e o princípio
Alguma
saída para o meu impasse
Há
alguém do outro lado da linha
Que
não encurtando palavras
Me
envie um discurso via sensorial
Que
me toque fundo lavando-me a alma
Cure-me
da solidão, o mal?
Há
alguém do outro lado da linha
Que
não apenas escute minha rouca voz
Que
pelas ondas sonoras repercute
Em
desesperadas interjeições
E
que busca das saídas a menos óbvias
Pra
um outro instante fundo
Em
nós comunicante e comunicador
Que
alivie um pouquinho
Do
discursante, a dor
Correndo vi
sua irmã
(etílica visão)
Nua na fonte
Desnuda no monte
Pelada na tela
Juro que a vi
Sem roupa no trem
Semi nua, amém
Molhada por dentro
Cercada no centro
Pela turba voraz
E vi mais
Correndo vi a irmã sua
Perdida e nua
Olhando pra lua
Pensando no trem
Procurando alguém
Viajando defronte
Tramando no monte
Gozando na fonte.
Bebendo também.
MACARRONE
Dedicado ao Vladi.
No vale vasto
Tremulam ramos encoroados
Do mais tenro trigo
A máquina trituradeira
Mói os grãos
Que do chão foram recolhidos
Uma farinha branca na fábrica
Transformada em massa
Onde máquinas fiandeiras
Tornarão a pasta
fios
quase cristalizados
Já dentro do supermercado
Será pelo caixa registrado
A saída e o preço
Daquele produto, naquele dia
... uma água fervente
cozinhará seus fios amarelados
e ao molho vermelho serás juntado
na mesa serás servido
pelo cozinheiro mor*, o chef de improviso
e ao ser provado
pela minha boca
instante de bom bocado
paraíso do prazer
só por isso eternizado
vida de amigo
parabéns meu jovem
MAAA
QUE BÉÉLO MACARRONE!
COMO FIGURA
PINTADA NO NADA,
LETRAS QUE SÃO SONS,
SIGNIGICANTES
PALAVRAS,
DUAS PEDRAS E SEU CAMINHO.
OBS RESGATAR NO RASCUNHO POEMADESENHO.
CANÇÃO
PERDIDA
UMA BOCA
UM PEIXE
DENTRO DELA
ENTÃO
UM NAVIO NO
CENTRO
UMA BOCA
DENTRO DELE
PRESTEZA DE
INVENTO
DOIS CORPOS,
TENS,
NUM ÚNICO
INTENTO
VERSO, BOCA
DENTRO
LUA BROWN NOITE TOWN
CANTO
CANTIGA
CATAVENTO
REALIDADE
EXPLICITA
NUM
TUDO
DO
AMOR
FLUEM
DOIS
CORPOS
LEVES
SOB
O COBERTOR
E
LOGO
PRA
INCOMODAR,
VEM
UM TAL
ALVORECER
NOS
CHAMAR.
Breve canção do fim
Não fui suficientemente belo
Para
conquistá-la
Pra
formar um elo
Entre
a minha e a alma tua
Não
compreendo a realidade
Em
que se situa
Deus
no feminino
Hino
de louvores vãos
Por
quanto de esperei
No
mais escuro da sombra?
Sobre
o muro do jardim do Éden
Contemplo
o céu que nada tem
Nenhum
astro, nenhum asteróide
Nem
satélite algum que me traga
Notícias
tua.
Não
fui suficientemente galante
Perfumado,
envolvente
E
me escapas pelas mãos
Quando,
justamente, tentava te prender
Pelos
dentes, carentes.
Mas
tempo nenhum , hora nenhuma
Essa
nossa
Do
desapego, do desterro
Da
desesperança em nós.
Não
fui suficientemente belo
Então
descubro-me assim
Como
num jogo de dados
Em
que por pontos
Sou
derrotado, exterminado
Da
lista riscado
E
no mais sujo do lixo jogado
E
fim de jogo, recolha os dados.
CONCLUSÃO
E POR QUE ACABAR
O QUE AINDA NÃO COMEÇOU
SE TEUS PEITOS EM MINHAS MÃOS
ESCAPAM
MAS TUA BOCA ENTRE MEUS
LÁBIOS
ESTÃO
NÃO TEM FIM O QUE NÃO COMEÇA
SÓ O QUE SE REVEZA EM
LUZ E ESCURIDÃO
DOCE E AMARGO
FRIO E CALOR
CHAMA DE OPOSTOS
ENVOLVENTE ENTE
QUE SOBRE A CAMA
DELICADAMENTE SALIENTE
EXPÕE-SE EM JOGOS E SE DÁ
SEM MEDO
POIS NÃO TERMINA
O QUE EM NÓS COMEÇA
E EU HAVIA JURADO NÃO
ENTENDER
NÃO ENALTERCER SEU JEITO
ESCURO
VELADO
OCULTO
DE SER MULHER
DAMA QUE SE INTUE
E DOIS MIL VERSOS DA AURORA
CHAMA-SE DAMA, FÊMEA,MULHER
O QUE TENHO AO LADO
PELO MENOS NESTA HORA.
SEM SAÍDA
Se faço
críticas
Sou radical,
Se concordo
pura e simplesmente
Não tenho
opinião
Se digo não,
Preferia ouvir
um sim
E quando sim,
Quer que eu
diga: concordo
Me sinto sem
saída
Amarrado até o
pescoço
Sem condições
de agir
Num labirinto
mental
Onde a fera
indomável
Aguarda-me com
um único olho
Ouço ruídos
pelos corredores
Avalio os
dessabores
Provo do vinho
Já há tempos
servido
Vejo através
do terno vidro
E não destino
minha estadia
Se vou ou se
fico
Se canto ou
calo
Fujo pelas
alamedas do papel branco
Que em
contraste com a tinta
Em palavras,
apenas,
Vou me
transformando.
Não havia
nenhum Leão sentado na pedra
Então demos as
mãos
Fizemos jus
aos ditados
Corremos
riscos
Brincamos no
campo
Com a carne
louca
E ela se
prendeu
Aos dedos
Aos laços
mantidos
Sedo ou tarde
Haveria de não
ser
E nem se
escrevesse
Um romance
Ou o roteiro
De um filme:
Não havia
nenhum Leão sentado na pedra
Nem figura de
linguagem
E eu, como um
educador
Fora do seu
tempo
Tentaria lhe
descrever
O
insustentável
Enquanto que
você riria
Dizendo:
Esse “cara” tá
maluco.
O real
Bate em minha
cara
Com luva de
pelica
No culto
oculto fica
Quase lambe,
suga, beija
Cegamente na
noite, no paraíso
Não perdoa
torpe
O corpo, o
outro
O mix, a
mistura
A saída pra
envergadura perfeita
Viram um
sol por aí?
Um céu de abril
A resplandecer
A luzir?
Ante a admiração
Dos que passam?Um lar, aqui
Neste endereço vão
Um céu então,
Nuvem, um raio claro?
Vamos?
Para o Alabama
Para cama
Cama, cama
Sê sacana
Anuncia esta fama
E fala faz fala
Entre dúvidas
Me entalhas
Com sua navalha
E seus louvores
Luva, Lua nua
Como ondas
Que insanas
Ondulam em
Altos mares
Pra onde estares
E ventarolas
E vão e ventos
Em dissonâncias
E vamos nós
Tantos elementos
A passarem
Pro Alabama
Para cama
Cama, cama.
Substrato
Ao longe
Onde ao lounge
Onde na fonte
Se não nascida
Nem na ida
Nem na volta
Distante, antes
Depois de tudo
Nalgum lugar
Empurras tua carroça
Leva teu feno nas próprias costas
E se Picasso mostra-nos
Na televisão
E do retrovisor
Inexistente
Você vê
As distâncias
Na vasta rodagem
VAMOS!
PARA O ALABAMA
PARA CAMA
CAMA, CAMA
SE SACANA
ANUNCIA ESTA FAMA
E FALA FAZ FALA
COMO DÚVIDAS
ME ENTALHAS
QUAL SUA NAVALHA
E SEUS LOUVORES
LUVA, LUA NUA
COMO ONDAS
QUE INSANAS
ONDULAM EM
ALTOS MARES
PRA ONDE ESTARES
E VENTAROLAS
E VÃO E VENTOS
E VAMOS NÓS
TANTOS ELEMENTOS
A PASSAREM
PRO ALABAMA
PARA CAMA
CAMA, CAMA.
D ARTE
A não arte
A balada que reparte
A dança e bailarina
A dança-te
Arte.
Obscura hora
Que antecede do ato
A aurora, a outra hora
Musorvalhada
No nada
Ante a catedral desmoronada
Na gótica sacada
Do pós guerra
Das horas
A mais enlutada
À parte
A bailarina banida
A balada que reparte
A despertar-te
Arte!
ilustração
VAMOS?
JUNTAR NOSSOS CORPOS
NOSSOS COPOS,
NOSSAS BOCAS
NO JARDIM?
MAIS JUNTAR NOSSOS
OLHOS
NOSSOS ÓCULOS
NOSSOS PLANOS
AFINS?
VAMOS JUNTAR NOSSA
CAMA
NOSSAS CHAMAS
NOSSO ÓBVIO
MAIS JUNTAR NOSSOS
PLANOS
NOSSOS DANOS
NOSSO ROUCO TUDO
NOSSO SILÊNCIO MUDO
NOSSO AMOR?
O PRISIONEIRO
AS VEZES
PARA EU A PENSAR
SE NÃO SOU UMA PESSOA LOUCA
COM OS BRAÇOS AMARRADOS
E OS LÁBIOS AMORDAÇADOS
IMAGINANDO A SUA VOLTA
PESSOAS, PERSONAGENS,
HISTÓRIAS, EMOÇÕES
ALGUMA CENA DE TEATRO
VIDA REAL
ENTÃO QUE SEJA,
PARO EU A PENSAR:
IMENSO MAR, A VIDA
DE CONTINENTES, PLANOS, PLANETAS
PERSONAS E SUAS HISTÓRIAS
POVOS, GENTES
E SUAS TANGENTES
SUAS DEFESAS.
AMORDAÇADO
AMARRADO À MESA
EU E MINHAS INQUIETAÇÕES
BASTOU UMA EXPLOSÃO
E TANTAS PRISÕES
PRISIONEIRO EU.
AAAAAAAAAHHHHHHHHHHH!
ECOA
O RESTO
DE SÍLABA
NA TOCA
NO CANAL
HORA ABERTO
ENTRE AUTOR
E OUVINTE
AAAHHHH!
SILÊNCIO CLARO
ME DESCUBRA
ALI
AMORDAÇADA
Intocada idéia
Panfleto,
Folheto,
Planilha,
Palavra,
fio de meada
Entendimento
Incompreensão
Prisão
Silêncio.
CADERNO
TAÍ O MEU CADERNO
SOBRE A CÔMODA
ME ESPERANDO
TAÍ A VÍRGULA
A PAUSA
O SOM DA MINHA VOZ
TAÍ O QUE ESCREVO
NO CADERNO QUE
REPOUSA
LARGADÃO
TOMANDO DA LUMINÁRIA
UM BANHO DE LUZ
QUE FAZ JUZ
AO SEU BRONZEAMENTO
DE CLARO CADERNO
ONDE ME REVELO
EM IDÉIAS.
NA MINHA FRENTE
ENTRE, ENTRE
UMA PALAVRA
QUERENDO TE DESCREVER
CORPO NA JANELA
ELA!
UM SEIO RARO
QUE BEIJO
UMA BOCA ABERTA
QUERENDO ME DEVORAR
IRONIA
O Mundo
sepulta seus mortos
Todos os dias,
Uns dias mais
184840593-390478546584749473937839392330!
Noutros, um pouco menos.
Há violência nas regiões em conflito,
Sul do Paquistão e pra rimar
Egito.
Ah! Meu Deus, até quando?
Morrer, tudo bem,
Não temos texto para contestar
Argumentar contra esta, das verdades,
Única.
Não temos escolha
Mas é que entre o jantar posto,
O jornal
E as notícias que nos chegam
A morte por ideologia
Assola o planeta
E se fica um pouco impotente
E ironicamente fartado.
O AMOR
O AMOR
ENTÃO
ME FOI CANASTRÃO
SEM A MENOR GRAÇA
DESGRAÇA
ME DISSE ADEUS
NUMA ESQUINA QUALQUER DA VIDA
DE PRONTO
NADA ENTENDI
QUIS MORRER NA HORA
E NÃO MORRI
MAS SENTI
COMO PISOTEADO
AMASSADO
TRITURADO
O SENTIMENTO DO AMADO
DO QUERER
SER AMADO
DO CANASTRÃO AMOR
QUE ME PEGOU
E QUE A SEGUIR
SEM CERIMONIA
ME JOGOU
NUM CANTO
E DOSOLADO
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