sábado, 24 de abril de 2021

RÁPIDAS TONELADAS DE PALAVRAS (poesias)

 

FICAR CONSIGO

 

 

INTEIRO,

POR ALGUNS JANEIROS,

POR ALGUNS JANEIROS.

 

E QUE VENHAM SETEMBROS

E DANÇAS E LOAS

QUE NOS RETARDE UM TEMPO

DENTRO DA CHAMA

QUE NÓS ACENDEMOS.

 

E QUE VENHAM AS TRAMAS

OS ENLACES, OS DRAMAS

E CHOREMOS NENHUM VERSO

NEM QUASE RIMA.

 

E SE A PALAVRA VALE POUCO

E O SILENCIO OURO VALE,

MUDEZ ENTÃO

PRA NÃO QUEBRAR O CLIMA,

NÃO DESGASTAR A RIMA

NA COMUNICAÇÃO


Contundente

 

Dente,

 

Que morde a carne

 

Que sangra,

 

Escorrendo vermelho

 

Pelo tapete

 

Voador.

 

 

Naquela tarde

 

De pleno verão

 

Fora da cena,

 

Acena pra mim

 

outra mão.

 

Escorre então o sangue

 

e decorre do vôo

 

Impreciso

 

num decidido

 

Não.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

No dia que lhe der saudades,

cante uma palavra.

“esperança”

 

Na hora que sentir sede,

use essa palavra.

“justiça”

 

No momento que quiser o verde,

pegue essa palavra.

“harmonia”

 

Ante a beatificação do homem,

anuncie essa palavra.

“sonho’

 

Quando a hora for chegada,

tente uma palavra.

“tolerância”

 

Se, no entanto, nada for feito,

pegue outra palavra.

“paz”

 

 

E se por fim, tudo estiver desfeito,

escreva essa palavra.

“amor”

 

e busque sempre a explicação.

 

 

 

 

 

 

 

ela

 

Inscreveu-se como flor

Contornando minha pele

Perfumando tudo com seu odor.

e o que se revela

A partir do instante cor

Flor e flor

Sensualidade de uma Emmanuele;

 

 

 

Se a França aqui não é,

Que de sorte sois e sou

Em apenas um, nós,

Aura clara e germe.

Um precipício de dor

É o que nos impele

Por amor, amor.

Ao que em nós, se adere.

 

 

Vem-me então em glórias gotas

Um torpor,

Suave som  suor

Quando o que chamamos

Seja o que for

Flor e flor

Em nós, olor

Lippia citriodora

Up to date for

Flora.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

E VEM COM A HORA

 

 

O poema de Delfos

A Lua e seus enigmáticos ares

Olhai o verso

Com o qual inscrevo

Nossas mais recônditas

E inenarráveis viagens

 

 

Vem com a hora

Um presente fugaz

Pesadelo.

Como se o segundo fosse único

Enredados no acaso

Qual fosse então um novelo

Não de linhas nem de lãs

Mas de idéias.

 

 

Vem com a hora

E é como se as palavras

Lavradas no nada,

Tudo quisessem dizer:

Rasura minha,

Um poema

Som, sou,

Ser.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

JÁ.

 

 

 

 Leu um romance?

Já.

 

Cantou  uma cantiga?

Já.

 

Beijou,

Amou alguém na vida?

Já.

 

Fugiu de intriga?

Já.

 

Procurou uma saída?

 

Encontrou-a feliz da vida?

Já.

 

Teve ciúmes?

 

 

...

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A procura

 

 

Procuro na sala

Tu não estas,

Procuro no quarto

Já passou por aqui.

Na cozinha;

As sobras da mesa denunciam:

Por aqui já passou.

E eu que vim aqui

Para dizer quero-te

E mais uma vez, te quero.

Mas no jardim nem sombra tua

No telhado o gato parado

(na leveza desse momento)

não verbaliza uma idéia de teu paradeiro

nem cá embaixo,

o cãozinho que transita pela casa, arfando

(como quem ladra pra mim)

perguntando:

-         estas só?

-         No que eu respondo de pronto:

-         Sim.

                                                                    

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

QUANDO RECUSAS UM BEIJO

 

Por simplesmente não querer

Ou por um motivo qualquer,

A sensação de perda do instante

Me toma o peito.

 

E na dúvida não sei se no beijo

O mais importante no ato fica sendo

O fato da conquista desta boca

Ante a recusa chora meu peito

Quietinho e desprotegido

Tenta me distrair, com a recusa

Um livro que não leio

Enquanto perdido, vejo:

 

Como num filme imaginário

Concluo um pensamento:

O meu anseio

E por vezes muitas, nele

Te beijo

E na pura imaginação cortejo

E tenho entre os braços

O prometido e desejado

Corpo.

Que agora constato e vejo

Que é meu.

 

 

 

UM GOSTO

 

De palavra na boca.

Um rosto que se instaura na tela

Sois bela, sois bela.

 

Quero afinal a tarde

Entre gerânios e credos

Solfejas pois, nua no salão vazio.

 

Mãos atadas ao labor

Decorrem versos e por si, dor

Poeta de profissão

Respira fundo num fulgor

E vaga com a lua pálida lá fora

Nos céus da tarde.

 

Quer o fogo

E ao mesmo tempo paz

Tanto faz,

Guerras, fogo, acordo

Dança consigo mesmo

A sombra

Deixar estar num avermelhado

Inexplicavelmente belo.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Papel

 

 

 

Caneta; oba!

Agora eu me vingo

E finco nele

Futuras idéias

Qual verdades científicas

           que certificam previsões

Conclamadas visões

Grifo, silvo

 

Na SELVA das formas

Na máfia dos sons

Me perco sem endereço

Pateons das poesias pregressas

Desarticuladas métricas

Moinhos de tintas

Tontas tonalidades

Verdades!!!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

VEJO-TE TÃO FEMININA

 
 

Cuidando das tuas coisas,

Guardando algumas peças de roupa:

Tolha, meia, calcinha.

 

Vejo-te tão menininha

Apesar do tempo já marcar a tua face,

E tuas coxas não serem tão roliças

Como antigamente.

 

Estais aqui na minha frente.

Mulher, fêmea, presente.

Completando todos os meus momentos,

Realizando os desejos que eu, quase humano, tenho.

 

E se é porque te beijo assim mil vezes,

O maior dos desejos seria eternizá-la;

Pelo menos em minha mente.

Como isto, não creio possível,

Deixo então, contigo, meu humano amor

E que ele fique gravado

Nos autos do eternamente.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Poeta, um clamor.

 

 

Hei, poeta!

Dá-me um pouco de tua poética

Sem fios,

Da vertente sonora

Do teu mais complexo buscar

Nas escolas literárias,  uma saída

Na musicalidade, um pulsar.

 

Hei, poeta!

Dá-me um pouco de oxigênio

Pela boca

E dos póros faça-me inflar o pulmão,

Como quem se expressa na pressa

Sentidos sentimentos, ora essa,

Porque não?

E que movem o inanimado

E desperta o distraído

Recompõe dos esquecidos

O furor de uma Nação.

 

Hei, poeta!

Queres me dizer de uma vez

Uma ou duas palavras

E que na insensata embriaguez

Possa eu mastigá-las

E por acaso e num breve instante

Ora, ora

Ver, das trevas profundas

A mais brilhante aurora.

 

 

Hei, poeta!

Ouça bem o que lhe digo

E se escrevo em palavras

 

 

 

Neste endereçamento inexato,

 busco contato contigo

Poeta!

Personagem da pura imaginação

De idealização.

 

 

Hei, poeta!

Dá-me aquilo que não cessa

Futurologias

Planetas inabitados

Siber conexões

Claves, apoio

Notas musicais

 

Hei, poeta!

Por que não ouves meu pedido,

Uma vez mais,

Eu leitor aturdido

Carente de rimas quentes

E de métrica tão irregular

Qual ar

Conspirações absurdas

Contradições obtusas

Preleções sem sentido

 

Hei, poeta!

Atenda ao meu pedido.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

IMPOTENTE

OU NASCER PARA MORRER.

 

 

É O PAI, NA FAIXA DE GAZA

NA CISJORDÂNIA,

TENDO O FILHO DE POUCA IDADE

ALVEJADO POR UM TIRO

DE METRALHADORA ASSASINA.

 

CHOQUES ISRAEL-PALESTINOS

MATAM MAIS 19.

PALESTINO BEIJA SUA FILHA DE

18 MESES

SARA, ANTES DE SER ENTERRADA

NABLUS (CISJORDÂNIA)

“NASCER PARA MORRER”

 TALVEZ UMA QUESTÃO CULTURAL

ESSE RETRATO DA MORTE

QUE HORA SE APRESENTA

TALVEZ UMA QUESTÃO DE ETINIA

ESSE QUADRO DE HORROR

DE DOR QUE INVADE NOSSOS OLHOS

EM FORMA DE NOTICIÁRIO.

OS LIVROS DA SABEDORIA HUMANA

DAS CIÊNCIAS HUMANAS, POR ASSIM DIZER,

SERÃO FECHADOS PARA SEMPRE

E A BARBÁRIE VAI IMPERÁ.

ESSA É A REGRA DO JOGO

ENTÃO ESTAMOS ESTRESSADOS

DESESPERANÇOSOS

PRECISAMOS DE FREUD

 

 

 

 

 

 

 

PRECISAMOS DE NOSSO PAI

PRECISAMOS DE NOSSA MÃE

 

 

DELE A MÃO SEGURA

DELA O ÚTERO QUENTE

E  NÃO ADIANTA LAMENTAR-SE

 

IRA CONTIDA, EM VÃO.

QUIETUDE PLENA,  ILUSÃO.

TIROS TILINTAM NO JORNAL DA TV

A SOPA LOGO SERÁ SERVIDA

E UM CORAÇÃO DE POETA

ENTRE A TAQUICARDIA DO AMOR

LAMENTA O SOL

QUE ENSISTE EM BRILHAR

SOBRE A POEIRA, O CAOS.

PALESTINOS ARREMESSAM PEDRAS

CONTRA TROPAS ISRAELENSES

NO CONFLITO  EM RAMALLAH

ONDE ALGUNS PALESTINOS, ÁRABES

E JUDEUS TOMBAM PELA CAUSA.

HÁ SEMPRE UMA CAUSA.

HÁ SEMPRE UM MOTIVO

NESTE CICLO SEM SENTIDO

NASCER PARA MORRER

OU SERÁ MELHOR

NEM NASCER.

Ah, quem sabe do deserto lunar

Ecoe em vão o som da palavra

Paz..

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

                                                                                           CABEÇA

 

 

 

Estava,

Estive

Com o umbigo perfurado

Por um dardo

Vazando ali

Das entranhas

Impurezas e do acaso,

Outro se não um vasto

Alo de cores frias

Escorregadias

Que perturbavam

A noite e o dia, entrelaçados.

Das horas que então...

Me ocorria o fato

De eu ter que despertar

Do pesadelo

Instaurado dentro dela.

E por não vê-lo

Além muro, além fronteira

Razão centro

Da perfuração por dentro

As cores, o torpor

Veio então o esgotamento

E por fim o desfalecimento

Dela,

Cabeça que atormentada dorme no nada.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

MÃOS A OBRA

 

Um índio enfurecido

Salta de dentro de mim

Como se fosse um fogo primal

num grito primaveril.

 As células da natureza

De propósito se interagem

Na poesia que vai contaminando.

O ato da mão sobre a folha branca

Então, vertente que não se estanca

O claro de tudo querer

Não por acaso. Não só por ser poeta

Água evaporando nossos vultos do passado,

Passando ao nosso lado

Onde se encontra saída  e entrada

Além da conta,

Contaminando.

Por todos os lados,

Da raiz

 Dos sonhos mais ocultos,

Das formas disformes

Do já deformado.

Que trançam sua métrica

 

 

 

 

 

 

 

 

E informam suas propostas no papel

Que o vento fez cair o vél

Num céu de letras

Não por si, não atoa

Invadindo com o vento

Todos os cômodos, todos os cantos

Todas as comas da pauta

Por onde eu, nomeado agora

Poeta, adentro,

Poeta e suas dúvidas

E seus entraves verbais

No instante que pensa

Improvisa, rabisca

No nada do branco do papel

Que não se intimida

Ao expor-se na vitrine do céu

Imperfeito céu

Primaveril

Marketing de fósseis

Escavados na poeira

Das esquecidas estantes.

 

p.s.

E lá vem a enfermeira com mais uma injeção, dá-se por contente ao ver-me tombar sobre a escrivaninha como quem diz, adormeci um leão.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Não havia nada que esgotasse

 

Aquela hora, fugisse então

De mim todo momento sentido

Da arte vindo como num átimo

O vento soprando lento

 

 

E só pra anunciar na minha cara,

És poeta, não como quem pergunta

Mas como quem confirma, o que se difere

Já temia eu, poeta.

 

 

Pois então se tem e te vem vertentes

De idéias, palavras perdidas do acaso

Âmago e perguntas

Confirmando ali a  cada letra imprensa

Inconstância, verso, temor

Do acaso vir a ser nesta hora,

Nesta mesma mensagem e

Em que me entrego

 

 

Por que eu sou raio

Sou som

Sou então,

 

P    A   L   A   V   R   A

 

Manchada no papel da alvorada

Que sempre renasce fortalecida

Se em ti mereça ser classificada

No rebuscado  caderno

Teor e sentido

Não por nada

 

 

 

 

Paquidérmica

Epidérmica

Palavra

 

 

F     A      L      A     R       E       S

 

MUSA DE NEGRO VESTIDO

SANDÁLIA NO PÉ

ESTÁLO

ESTILO QUE CADENCIA

SEU

ANDAR E FALA.

 

DANÇA PRA MIM

QUE SOU POETA

E TE ADIMIRO

COM FOME DE GAVIÃO

 

 

SERÁ QUE É PRA MIM AQUELA

PALAVRA?

AQUELE PALAVRÃO?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Rua nicácio pinto, 279, bloco b

Apartamento 32 vento e depois

Praia do futuro...

 

 

 

 

Leve

 

 

 

Um dia temos nome e endereço

E pro pib do país, um preço,

E formas, e idéias,

E saídas e entradas.

 

 

 

Um dia não temos nada,

Um corpo estagnado,

Um lugar demarcado.

E a fria terra dos assombrados.

 

 

 

Mens. à Douglas Martins.

 

 

 

 

 

 

 

Da série: as últimas horas do milênio:

 

Papel e papeis amontoados,

As vezes abandonados e

Blocos, cadernos, folhas,

Caderneta, bloquinho, agenda

Perdidas e sobra de folhas

Bordas de jornal, papel de embalagem de pão

De alguma padaria do Centro Velho

E tuas nádegas , tuas coxas

Meu delírio , os teus beijos

E ainda bem que existe

Esta hora que do milênio

É uma última, sem retrocesso

Como o progresso dos fatos

A evolução e a essência redundante

Do momento da descoberta da coberta

E teu corpo entre

E devaneios e silvos teus

Ainda bem que existe silêncio

Pra ser escutado, pra ser sentido

Pra ser envolvido por nossos

Gemidos poéticos com os últimos

Instantes do milênio

E ainda bem que existem canetas, lápis, pincel,
resultado de tintas

E atritos

Motricidade, idéias

Tarde através da janela

E calçada molhada refletindo

Cegamente o sol, luz, automóveis

E mãos de mulher.

Pessoas, mulheres, mãos lavando

E que existe água, panos, baldes

Limpeza de pele, superfície de brilhos intensos

De reflexos , de luz, de mulher

 

 

 

 

 

 

 

Lavando paredes, concretos,

E telefones e sons e o pessoas

Que chamam na tarde

E então, após devorar-te

Arte

Renasceria sem morrido Ter.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

“E se fui da caça um viril caçador

Que espreita sutil, e

 Ataca veloz

 

 

 

E devora sua presa

Minha fera hora enjaulada,

 

E se por nada

Fiz por travesseiro

O teu roliço traseiro

Que me sustem,

 

Te amo desbragadamente

Meu bem.”

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

MENU HOSPITALAR

 

 

Na vasilha transparente

O líquido num branco pálido

Oculta a batata e as postas de frango

Que repousam no fundo

Junto aos temperos e legumes

 

 

Uma farinha de milho em flocos

Aguarda sua vez

Assim como o vinho

Colher e a boca pra degustar

 

 

 

O vinho é invenção minha

E o copo dágua

Supre esquecidas necessidades

 

A enfermeira sorridente

Instruída pelo hospital

Imagina-me por trás da máscara

Um paciente exemplar

 

Mas se a sopa a minha frente

A boca oculta desta princesa

Faz-me lua imaginar

Que esteja assim sorridente

Tem-me como seu pretendente

E não custa pra num repente

Um beijo eu lhe roubar.

 

 

 

 

 

 

PeQuenAs  LeTraS

 

 

E aquele medo de ser pego

as escondidas

onde o silencio impera

e nada se explica,

e dele mesmo ouço saírem

silvos vivos de sensações

De quem tocada por dentro, fremente

Geme e sente

No vale dos assombrados

ecoando tais canções

E até os monges que vivem

em cavernas, exilados

captam tais trinados

e com elas fundem mantras

e buscam resultados sagrados

Mas é apenas o amor, que as escondidas

Expressa na profundidade

Paraíso-Hades

Vida.

 

 

II

 

O lanche da tarde

Foi bela ao sol

Próximo da janela

Umas curvas inexplicáveis.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Vivas de encanto

Enquanto eu, santo

Anjo em pecado,

Sorvo delicias do teu pescoço

Seio, cintura, coxas

Que assimilo com os dedos

 

Deixando marcas na sua memória;

E como quem datilografa. Grafa.

 

Sorri o riso que negava

E faz-me poeta que pensou,

Tudo renunciara.

 

E pela rua cantando

Sairia anunciando

Primaveras no seu peito

 

Anja intocada

Não por nada,

Dá-me tua mão,

desejo

Somente a tua mão

E já basta

Um paraíso no beijo.

 

E derretido

Os nervos, as sensações

Em névoa cobre, zinco

Na quentura da fornalha

Que é a vaga tua

Onde evito,

Sem atrito,

Penetrar.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Jogos

 

 

Por mais que eu estudasse

O significado de alguns

Jogos humanos

Jamais entenderia

Aquela que a frente da batalha

Se expõe de peito aberto

Se rende aos tiros do adversário

Como se não fosse possível

Omitir-se

 

Entra na arena e sente de perto

O bafejar dos tigres

Deus meus! Qual a questão em pauta

Jogo, complexo, jogo

Onde se quer chegar?

Nos dados e nas cartas

Que se põe sobre a mesa imaginária

Onde se expões inimigas

Opositoras mãos,

Então

 

Homero vai para um lado

Ulisses noutra direção

E no fundo escuro do poço

Ouve-se o eco de quem,

 

 

 

 

 

 

Evitando o lamento

Constata a verdade

Que hora se mostra

Nítida

Transparente em nós

Partilhados

E sós.

 

 

 

 

 

 

 

Aos pedaços no Cairo

 

Temia eu um dia

Ter o sentimento

Que agora em meu peito

Se instaura

 

Me sinto

Aos pedaços no Cairo

Balança enferrujada das horas

Pêndulo entumecido e estático

De Faucout

 

Temia eu essa instancia

De verbos no nada

De versos sem sentido

Do nada acontecido

E não mais uma dupla em ação

Ulisses vai para o Norte

Homero noutra direção

 

 

 

 

 

 

 

Quem me faltem as forças

Que ceguem-me os olhos a luz

Que eu fique em silêncio

No maior dos retiros

Pois estou sem rumo

Perdido na Abey Road.

 

 

Eu que vivi durante décadas

A beira do lago azul em Cantervill,

Hoje no deserto sem nome

Vejo fantasmas ao redor

E penso fugir de tudo

E de todos, talvez uma saída

Pro Alabama Grill.

 

 

 

 

 

 

 

Mulher com pelo no peito

 

 

E quando as vezes se sente vontade

De não mais se estar ali

Naquele lugar

Que sempre se esteve.

 

E quando a violência vaza pela janela

Nas mãos do adolescente

Que a queima roupa liquida o professor

Tempo de horror.

 

E de alguma maneira se desintegrar

Sem retorno nem trégua

A violência vazando

 

 

 

 

Horror crimes

Provocando temores, arrepios

E também sensações

Extremamente desagradáveis

Sensações sem nome as vezes

Sem classificação.

 

Lá uma queda de pressão

Um batimento cardíaco

Descompassado

Sensações de perda e é claro,

Palavras ofuscadas na sala

E o violento vazando

Entre nós

 

Mulher com cabelo no peito

Um signo na tela

Porrada na boca

Um sangue vazando ali

(vê no que dá amar o amor)

 

a mulher com cabelo no peito

mais máscula que fêmea

oposto do oposto

nem mulher nem homem

nem rosto

é a violência apenas

um artigo selvagem

e nenhuma paz

uma configuração risível

do que hora previsível

também cabível

dentro desta que é a questão

mulher de cabelo no peito

esfinge

acalorada canção.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Há anjos

A minha volta

E assassinos

As escondidas,

O temerário

Ponto e

A virgula.

 

 

 

.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

                                          Ficou no passado

Imaculado

A imagem daquela dama

Bailarina de encantos

 

Como uma dádiva

Um fenômeno

da natureza

Do acaso

 

Que levou-me aos sete cantos

Do mundo

E me trouxe de volta

 

E no meu desencanto

afirmo no entanto,

era

literalmente flôr.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Masturbação frasal

 

Bom dia

Quê?

Vou indo

Porquê?

Eu e você.

Toma um café?

Agora é sua vez

Parece que vai chover

Outra vez?

Tá na hora

Evite falar

Você sabe o dia?

Não conte o pecado

Procura alguém?

Lado a lado

Onde que mora

Sim

Busco-te as oito, ok

Não

Onde vamos?

Dá-me tua mão

Chega logo?

Boa noite

Não faça cerimonia

Te amo.

Cai o pano

 

 

 

 

 

 

 

 

 

retrocesso

 

A pena suave

Deslisa sobre o papel

Déu em déu

Um riscado assim,

Uma voz de homem

Clama no jardim

 

Doce cadim de pausa

Num apedrejar

De letras

Eletrificadas

 

Resvale num vale

Teu charme ecumênico

Domenico instante

Segues adiante

Sem dar pistas

Nem explicação

 

 

Que palavras que eu diria

Autor atormentado?

Na tela

A outra face do insucesso

Voz de homem no processo

Verso

Retrocesso.

 

 

 

 

Por dentro da sala

 

 

(este poema foi escrito assim que o autor levou uma pancada na cabeça quando tentava encontrar aquela panela especial pra fazer a sopa do dia).

 

 

Fechada escura

Por onde, na penumbra

Do breu

Nada se configura

 

Há um ser sincopado

Como a música

Ao lado

E que nela contém

Como um anjo

Segredos insanos

 

Ora totalmente definido

Como um bicho

Da natureza

Sã, só e presa

Enebriada e tesa

 

Que mal se sabe racional

Tão próximo pois, do humano

Dentro da sala

Fechada escura

Sarcófago, sepultura

 

 

Há um quase humano ser

 

Onde essas reflexões

Profundas

Ou mais rasas,

Rosas reencarnadas

O leva pra regiões brumosas

Densas,

Quase profundas

 

(ai)

Na ociosidade da sala

E do tempo

Entre a ausência de verbo

E consequentemente de ação

 

 

Culmina, nesta hora

Ali

Pregressa a figura inferma

E infame

Que de poeta então

Se proclame

 

E saia roubando

Dos outros as palavras

Para construir

Nos interiores das salas

 

 

Uma cadeia de versos.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Gutemberg alçou vôo

Descabido sobre as nossas

Orelhas diluídas

 

 

Alvorecia

Na Sibéria

E na casa mia

 

 

Desencucada e parva

A turba responde de pronto

Aos últimos estímulos

Do líder tonto

 

 

Orquestração ofuscada

Pelo recochetear

Das bombas

Cégas e tontas

 

E eu escutante,

Por um instante

Talvez.

 

 

Avisto Guernicas

Repetidas nas paredes

O Oriente está em guerra

Conduz-me a mão o dano

Não tenho nenhum plano

Ao concluir

Este poema.

 

 

 

Há alguém do outro lado da linha?

 

Que possa sintonizar-se comigo

Através da palavra

Uma idéia, um princípio

Alguma certeza fundamentada

Nalguma filosofia

Da fisiologia

Que não seja da violência

Da fome

Do ciúme?

 

 

Há alguém do outro lado da linha?

Que desejando nada de meu

Seja apenas gentil

Poupe-me as balas de fuzil

E me ouça uns reclamares

Deste instante desconfortável?

 

 

Há alguém do outro lado da linha

Que me estenda o braço

E envie uma ou duas palavras ?

Há alguém do outro lado da linha

Que por engano tenha aí ficado

E ao ouvir-me delirante

Teça versos petrificados

E que ao invés de canção harmoniosa

Atire palavras e falares desconexos

E me faça compreender em vão

Entre o fim e o princípio

Alguma saída para o meu impasse

 

Há alguém do outro lado da linha

Que não encurtando palavras

Me envie um discurso via sensorial

Que me toque fundo lavando-me a alma

Cure-me da solidão, o mal?

 

Há alguém do outro lado da linha

Que não apenas escute minha rouca voz

Que pelas ondas sonoras repercute

Em desesperadas interjeições

E que busca das saídas a menos óbvias

Pra um outro instante fundo

Em nós comunicante e comunicador

Que alivie um pouquinho

Do discursante, a dor

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Correndo vi sua irmã

(etílica visão)

 

Nua na fonte

Desnuda no monte

Pelada na tela

Juro que a vi

Sem roupa no trem

Semi nua, amém

Molhada por dentro

Cercada no centro

Pela turba  voraz

 

E vi mais

 

 

Correndo vi a irmã sua

Perdida e nua

Olhando pra lua

Pensando no trem

Procurando alguém

Viajando defronte

Tramando no monte

Gozando na fonte.

Bebendo também.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 MACARRONE

Dedicado ao Vladi.

 

No vale vasto

Tremulam ramos encoroados

Do mais tenro trigo

 

A máquina trituradeira

Mói os grãos

Que do chão foram recolhidos

 

Uma farinha branca na fábrica

Transformada em massa

Onde máquinas fiandeiras

Tornarão a pasta

 fios quase cristalizados

 

Já dentro do supermercado

Será pelo caixa registrado

A saída e o preço

Daquele produto, naquele dia

 

... uma água fervente

 cozinhará seus fios amarelados

e ao molho vermelho serás juntado

 

na mesa serás servido

pelo cozinheiro mor*, o chef de improviso

e ao ser provado

pela minha boca

instante de bom bocado

paraíso do prazer

só por isso eternizado

vida de amigo

parabéns meu jovem

 

MAAA  QUE  BÉÉLO MACARRONE!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

COMO FIGURA

PINTADA NO NADA,

LETRAS QUE SÃO SONS,

SIGNIGICANTES

PALAVRAS,

DUAS PEDRAS E SEU CAMINHO.

 

OBS RESGATAR NO RASCUNHO POEMADESENHO.

 

 

 

 

 

 

                                      CANÇÃO PERDIDA

 

 

 

 

UMA BOCA

UM PEIXE DENTRO DELA

ENTÃO

UM NAVIO NO CENTRO

UMA BOCA DENTRO DELE

PRESTEZA DE INVENTO

 

DOIS CORPOS, TENS,

NUM ÚNICO INTENTO

VERSO, BOCA DENTRO

LUA BROWN NOITE TOWN

CANTO

CANTIGA

CATAVENTO

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

REALIDADE

EXPLICITA

NUM TUDO

DO AMOR

FLUEM

DOIS CORPOS

LEVES

SOB O COBERTOR

E LOGO

PRA INCOMODAR,

VEM UM TAL

ALVORECER

NOS CHAMAR.

 

 

 

 

Breve canção do fim

 

 

Não fui suficientemente belo

Para conquistá-la

Pra formar um elo

Entre a minha  e a alma tua

 

Não compreendo a realidade

Em que se situa

Deus no feminino

Hino de louvores vãos

Por quanto de esperei

No mais escuro da sombra?

 

Sobre o muro do jardim do Éden

Contemplo o céu que nada tem

Nenhum astro, nenhum asteróide

Nem satélite algum que me traga

Notícias tua.

 

Não fui suficientemente galante

Perfumado, envolvente

E me escapas pelas mãos

Quando, justamente, tentava te prender

Pelos dentes, carentes.

 

Mas tempo nenhum , hora nenhuma

Essa nossa

Do desapego, do desterro

Da desesperança em nós.

 

Não fui suficientemente belo

Então descubro-me  assim

Como num jogo de dados

Em que por pontos

Sou derrotado, exterminado

Da lista riscado

E no mais sujo do lixo jogado

E fim de jogo, recolha os dados.

 

CONCLUSÃO

 

E POR QUE ACABAR

O QUE AINDA NÃO COMEÇOU

SE TEUS PEITOS EM  MINHAS MÃOS

ESCAPAM

MAS TUA BOCA ENTRE MEUS LÁBIOS

ESTÃO

NÃO TEM FIM O QUE NÃO COMEÇA

SÓ O QUE SE REVEZA EM

LUZ E ESCURIDÃO

DOCE E AMARGO

FRIO E CALOR

CHAMA DE OPOSTOS

ENVOLVENTE ENTE

QUE SOBRE A CAMA

DELICADAMENTE SALIENTE

EXPÕE-SE EM JOGOS E SE DÁ

SEM MEDO

POIS NÃO TERMINA

O QUE EM NÓS COMEÇA

E EU HAVIA JURADO NÃO ENTENDER

NÃO ENALTERCER SEU JEITO ESCURO

VELADO

OCULTO

DE SER MULHER

DAMA QUE SE INTUE

E DOIS MIL VERSOS DA AURORA

CHAMA-SE DAMA, FÊMEA,MULHER

O QUE TENHO AO LADO

PELO MENOS NESTA HORA.

 

 

 

 

 

 

 

 

SEM SAÍDA

 

 

Se faço críticas

Sou radical,

Se concordo pura e simplesmente

Não tenho opinião

Se digo não,

Preferia ouvir um sim

E quando sim,

Quer que eu diga: concordo

 

Me sinto sem saída

Amarrado até o pescoço

Sem condições de agir

Num labirinto mental

Onde a fera indomável

Aguarda-me com um único olho

 

Ouço ruídos pelos corredores

Avalio os dessabores

Provo do vinho

Já há tempos servido

Vejo através do terno vidro

E não destino minha estadia

Se vou ou se fico

Se canto ou calo

 

Fujo pelas alamedas do papel branco

Que em contraste com a tinta

Em palavras, apenas,

Vou me transformando.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Não  havia nenhum Leão sentado na pedra

 

 

Então demos as mãos

Fizemos jus aos ditados

Corremos riscos

Brincamos no campo

Com a carne louca

 

E ela se prendeu

Aos dedos

Aos laços mantidos

Sedo ou tarde

Haveria de não ser

 

E nem se escrevesse

Um romance

Ou o roteiro

De um filme:

 

Não havia nenhum Leão sentado na pedra

Nem figura de linguagem

E eu, como um educador

Fora do seu tempo

Tentaria lhe descrever

O insustentável

Enquanto que você riria

Dizendo:

Esse “cara” tá maluco.

 

 

 

 

 

 

 

O real

Bate em minha cara

Com luva de pelica

No culto oculto fica

Quase lambe, suga, beija

Cegamente na noite, no paraíso

Não perdoa torpe

O corpo, o outro

O mix, a mistura

A saída pra envergadura perfeita

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Viram um sol por aí?

Um céu de abril

A resplandecer

A luzir?

Ante a admiração

Dos que passam?Um lar, aqui

Neste endereço vão

Um céu então,

Nuvem, um raio claro?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Vamos?

 

Para o Alabama

Para cama

Cama, cama

Sê sacana

Anuncia esta fama

E fala faz fala

Entre dúvidas

Me entalhas

Com sua navalha

E seus louvores

Luva, Lua nua

Como ondas

Que insanas

Ondulam em

Altos mares

Pra onde estares

E ventarolas

E vão e ventos

Em dissonâncias

E vamos nós

Tantos elementos

A passarem

Pro Alabama

Para cama

Cama, cama.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Substrato

 

O trato

Da canção

Que trato

Das interferências

Entre as interdependências

Tão salutares

Que  agora jazem

No vazio

 

 

 

Ao longe

Onde ao lounge

Onde na fonte

Se não nascida

Nem na ida

Nem na volta

Distante, antes

Depois de tudo

Nalgum lugar

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Empurras tua carroça

Leva teu feno nas próprias costas

E se Picasso mostra-nos

Na televisão

E do retrovisor

Inexistente

Você vê

As distâncias

Na vasta rodagem

 

 

 

 

 

 

 

 

VAMOS!

 

PARA O ALABAMA

PARA CAMA

CAMA, CAMA

SE SACANA

ANUNCIA ESTA FAMA

E FALA FAZ FALA

COMO DÚVIDAS

ME ENTALHAS

QUAL SUA NAVALHA

E SEUS LOUVORES

LUVA, LUA NUA

COMO ONDAS

QUE INSANAS

ONDULAM EM

ALTOS MARES

PRA ONDE ESTARES

E VENTAROLAS

E VÃO E VENTOS

E VAMOS NÓS

TANTOS ELEMENTOS

A PASSAREM

PRO ALABAMA

PARA CAMA

CAMA, CAMA.

 

 

D  ARTE

 

A não arte

A balada que reparte

A dança e bailarina

A dança-te

Arte.

Obscura hora

Que antecede do ato

A aurora, a outra hora

Musorvalhada

No nada

Ante a catedral desmoronada

Na gótica sacada

Do pós guerra

Das horas

A mais enlutada

À parte

A bailarina banida

A balada que reparte

A despertar-te

Arte!

 

 

 

 

 

 

 

 

ilustração

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

VAMOS?

JUNTAR NOSSOS CORPOS

NOSSOS COPOS, NOSSAS BOCAS

NO JARDIM?

MAIS JUNTAR NOSSOS OLHOS

NOSSOS ÓCULOS

NOSSOS PLANOS

AFINS?

VAMOS JUNTAR NOSSA CAMA

NOSSAS CHAMAS

NOSSO ÓBVIO

MAIS JUNTAR NOSSOS PLANOS

NOSSOS DANOS

NOSSO ROUCO TUDO

NOSSO SILÊNCIO MUDO

NOSSO AMOR?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O PRISIONEIRO

 

AS VEZES

PARA EU A PENSAR

SE NÃO SOU UMA PESSOA LOUCA

COM OS BRAÇOS AMARRADOS

E OS LÁBIOS AMORDAÇADOS

IMAGINANDO A SUA VOLTA

PESSOAS, PERSONAGENS,

HISTÓRIAS, EMOÇÕES

ALGUMA CENA DE TEATRO

VIDA REAL

ENTÃO QUE SEJA,

PARO EU A PENSAR:

IMENSO MAR, A VIDA

DE CONTINENTES, PLANOS, PLANETAS

PERSONAS E SUAS HISTÓRIAS

POVOS, GENTES

E SUAS TANGENTES

SUAS DEFESAS.

AMORDAÇADO

AMARRADO À MESA

EU E MINHAS INQUIETAÇÕES

BASTOU UMA EXPLOSÃO

E TANTAS PRISÕES

PRISIONEIRO EU.

 

 

AAAAAAAAAHHHHHHHHHHH!

ECOA

O RESTO

DE SÍLABA

NA TOCA

NO CANAL

HORA ABERTO

ENTRE AUTOR

E OUVINTE

AAAHHHH!

SILÊNCIO CLARO

ME DESCUBRA

ALI

AMORDAÇADA

Intocada idéia

Panfleto,

Folheto,

Planilha,

Palavra,

 fio de meada

Entendimento

Incompreensão

Prisão

Silêncio.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

CADERNO

TAÍ O MEU CADERNO

SOBRE A CÔMODA

ME ESPERANDO

TAÍ A VÍRGULA

A PAUSA

O SOM DA MINHA VOZ

TAÍ O QUE ESCREVO

NO CADERNO QUE REPOUSA

LARGADÃO

TOMANDO DA LUMINÁRIA

UM BANHO DE LUZ

QUE FAZ JUZ

AO SEU BRONZEAMENTO

DE CLARO CADERNO

ONDE ME REVELO

EM IDÉIAS.

 

 

 

 

NA MINHA FRENTE

ENTRE, ENTRE

UMA PALAVRA

QUERENDO TE DESCREVER

CORPO NA JANELA

ELA!

UM SEIO RARO

QUE BEIJO

UMA BOCA ABERTA

QUERENDO ME DEVORAR

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

IRONIA

 

O Mundo sepulta seus mortos

 

 

 

 

 

 

Todos os dias,

Uns dias mais

184840593-390478546584749473937839392330!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Noutros, um pouco menos.

Há violência nas regiões em conflito,

Sul do Paquistão e pra rimar

Egito.

Ah! Meu Deus, até quando?

Morrer, tudo bem,

Não temos texto para contestar

Argumentar contra esta, das verdades,

Única.

Não temos escolha

Mas é que entre o jantar posto,

O jornal

E as notícias que nos chegam

A morte por ideologia

Assola o planeta

E se fica um pouco impotente

E ironicamente fartado.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O AMOR

 

 

O AMOR

ENTÃO

ME FOI CANASTRÃO

SEM A MENOR GRAÇA

DESGRAÇA

ME DISSE ADEUS

NUMA ESQUINA QUALQUER DA VIDA

DE PRONTO

NADA ENTENDI

QUIS MORRER NA HORA

E NÃO MORRI

MAS SENTI

COMO PISOTEADO

AMASSADO

TRITURADO

O SENTIMENTO DO AMADO

DO QUERER

SER AMADO

DO CANASTRÃO AMOR

QUE ME PEGOU

E QUE A SEGUIR

SEM CERIMONIA

ME JOGOU

NUM CANTO

E DOSOLADO

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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